15 de Julho de 2008

Não sou vítima!

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A namorada de Donar se foi. Com a ajuda da irmã cruzou de Honduras para os States. Dois anos depois combinou com o namorido que se ele chegasse até a fronteira norte do México ela e a irmã pagariam para um coiote cruza-lo. Assim ele saiu com conterrâneos seus, alguns que já haviam feito o caminho. Cruzaram a Guatemala e aguardaram o trem em Tapachula, no Chiapas mexicano há cinco anos. Na mesma cidade encontro Donar depois costurando bolsas para guardar celular no Albergue Bom Jesus. Buscando o tom comecei a perguntar sua história até chegar no ponto em que o trem freiou de repente e Donar, desprevenido, caiu de cima do vagão e assistiu a navalha dos trilhos lhe arrancarem as pernas.”Foi uma hora ali sozinho. Até que um homem de uma cidadezinha passou e me socorreu. Eu lembro da voz dele mas o rosto não sei porque eu já não via nada, só claridade.” Foi para o hospital e o primeiro mês foi de depressão, “a vontade de morrer era maior que a de viver”. Sem auto-piedade foi buscando no silêncio força. “Até que achei força com meu amigo invisível” e olha para o poster de Jesus Cristo na parede da sala de costuras. “Mas como foi na recuperação, você teve algum amigo ou alguém da família junto?”, pergunto depois de medir cada palavra. “Não” e pausa pensando um pouco: “Mas isso é melhor porque alguém da família ia ficar com dó da minha situação, querendo me ajudar de qualquer jeito. Sozinho eu descobri minha força, montei uma nova vida”. A fala de Domar contava desgraças com olhos doces e gargalhadas divertidas: “Não sou vítima” repete convicto.

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11 de Julho de 2008

Asalto al sueno

Em San Salvador tive a sorte de cruzar com um festival de filmes sobre migração no Centro Cultural Espanha. Por dez horas seguidas fiz uma maratona de viagens através de ficções e documentários. Um deles eu realmente gostei: o doc do alemão Uli Stelzner cruza o México com os indocumentados escutando suas histórias e sonhos.

O que achei mais bacana é o respeito com que Uli trata seus personagens: pergunta com franqueza, sem dó nem arrogância. Posto aqui um trecho do filme para que outros possam embarcar na viagem. E bem, ele viajou sozinho com sua camerita, me identifiquei bastante… Semana que vem sou eu quem subo no trem! Hasta!

ps: sorry, as legendas do doc em espanhol estão em alemão… Mas acho que dá para acompanhar bastante.
ps2: a madre soltera cochilando me arrepia a alma…