06 de Novembro de 2008

oba! oba! oba!

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Bem, estava aqui em cima mas meio no lugar errado. Vim para Washington, a casa do poder todo assistir ao dia do novo presidente… e só tarde demais entendi que aqui não era o lugar mais animado para as eleições - de novo vim para Cosme Damião achando que era Carnaval. Mas pouco importa. Chorei de alegria vendo TV mesmo. Todos os amigos em Nova Iorque ligaram ou escreveram convidando para festas e o clima era de mudança, hope, alegria. Que delícia! Me lembrou o dia que o Lula ganhou da primeira vez; a Avenida Paulista recheada de crianças, de paulistanos, de nordestinos, de gente, de sorrisos. Lindo! Meu corpo sorridente recordou de outro dia encantado - a posse de Tabaré Vazquez no Uruguai, o primeiro presidente de esquerda de nosso hermanito: este vídeo gravei neste tal dia!

Se as mudanças serão grandes, de base? não acredito. O jogo é grande e não acho que presidente algum tenha tanto poder assim; nem se quer realmente mudar a estrutura das coisas. Mas ganhou a esperança sobre o terror! Na casa do terror! E só isso já vale tudo! Que vivam os sonhos! A fé de que sim, o mundo pode ser melhor! Assim como um nordestino é presidente do Brasil, um índio da Bolivia, um preto agora comanda o país famoso pela segregação racial. Os que eram minoria agora passeiam pelos tronos desmentindo as proibições, os impossíveis, os discursos de que “o mundo é essa merda e pronto, nem tenta que não dá”.

Que Obama presidente traga aquele gosto que provamos em nossa América Latina há pouco. Mas que a falta de mudanças imediatas, de salvadores da pátria nos tirou o sonho da mudança. Não dá para em quatro ou oito anos mudar o rumo da história torta de cinco séculos. Mas estamos indo bem - vai, não precisa de muito para notar nosso país e nosso continente florescendo. Falta muito? Falta… Mas temos melhores taxas de emprego, de educação, de divisão de renda, de saúde que quando o nosso Obama chegou em Brasília. Cheia de cicatrizes a América Central finaliza suas guerras civis e entra em anos de paz. A Bolívia com todos os tropeços e dificuldades de dentro e de fora nacionaliza o que é do povo…. e assim segue, seguimos! Que o sonho que nasce no norte ilumine a todos do sul, leste, oeste! Que nos abracemos de novo com nossos otimismos! Que o medo vá! e que cada um e todos possamos ir lutando pelo que tem que ser! Melhor! Mais! Amém!


27 de Outubro de 2008

sonho de uma noite de outono

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Tive aqueles sonhos que juntam tudo junto. Na vida acordada me preparava para conhecer um quarto para alugar. Havia ficado chocada com a publicidade pró-guerra nas ruas da cidade, na sala de cinema. Havia recomeçado a ler História da Sexualidade. Liquidificador. Aí sonho que falo em português familiar com uma mulher que aluga quarto. Uma casa circular, meio torre, meio o panóptico de Foucalt. Na casa um dos quartos era ligado ao banheiro por uma ponte levadiça. A ponte tinha caído uma vez e a menina quase morrido, me contou meio rindo a mulher simpática mostrando a corda branca arrebentada. Eu ficava imaginando o que significa morar numa casa com banheiro suspenso externo num lugar que neva. A casa era toda branca muito branca. Coisa de sonho mesmo. Aí eu pedia desculpa se ela não fosse me entender. Falava, sentada na mesa branca e quadrada da cozinha branca, que achava que um menino que topa ir para o exército, sabendo que provavelmente matará civis inocentes para poder melhorar sua própria vida, ter direito a seguro de saúde e universidade… que isso não era justo não. Egoísta mesmo. Que é o mesmo que o menino da favela que topa ir para a guerra do tráfico sabendo que vai matar civil inocente. Mas que a diferença é que o governo democrático, que assim se diz, democrático, coloca outdoors promovendo um. E toda a sociedade condena o outro. guerra-01.jpgQue aquilo tava tudo errado. Mas mais errado que tudo foi quando em bom e alto som tocou o despertador. Acordei sem sair do lugar. Com as mesmas questões. Sem os comentários da proprietária, o meu outro eu que tem a casa e ri da escada que cai enquanto este eu se choca. A dona da cabeça toda. Tentei os cinco minutinhos extras de soneca para ver se ela eu me respondia a solução das guerras do mundo. Do panóptico. Dos banheiros. Mas ela não voltou. Já foi.