16 de Novembro de 2008

Chorinhozinho

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Foi só fechar o olho. Flauta, pandeiro, violão. Quadril ziriguidum. Som para dentro. Tudo aquilo que já conhecia e ali tão novo. Dançava em outro lugar. Dançava em casa. Sabia onde cada um dos amigos intímos estaria. Quem pedia a saideira. Quem insistia para ficar. Os beijos no banheiro, escondidinhos, como quem rouba, sorri e sai no ritmo. Os flertes entre passadas. Os corpos que se encostam pedindo mais. Os olhos, cerveja na mão, cigarro na boca, desejo no corpo inteiro. Os pés que se atraem. Vestido azul. Vestido vermelho. Lu, cadê você Iemanjá? Seis cordas. Sete cordas. Cidão. Risos. Muitos. Uma voz que sobe mais com toda a alegria. Toda a tristeza. Tudo o que é voz. Estava tudo ali nos acordes. Nos quadris. Na saudade. O olho abria e Nova Iorque voltava. Vinho para a banda. Cigarro só lá fora. Casacos e botas. Mas era só o pandeiro chorar, chorinho, quadril, olho baixinho. Voltava: vendo dentro e atrás tudo era o que há muito tempo já não. Sonho. Dança. Samba. Casa. Tum.

Ps: depois de oito meses, um choro bem tocado na abertura de um festival de docs brasucas em Nova Iorque! Para ver a programação, siga o link!


24 de Maio de 2008

encontros e reencontros

jaime-direita.jpg Sabe quando uma idéia está bem no fundinho da caxola mas se esconde, não se explica? O argumento para o documentário para a Televisión America Latina (TAL) estava assim, esquivadinho mas quase vindo quando fui gravar com um dos principais grupos da Costa Rica, Malpaís. Em cinco minutos de papo pós camera com o baixista Jaime, puf!, a sinapse final! “Posso gravar o que você me disse, se não vou acordar amanhã e pensar por que não gravei…?” Gravamos dez minutos sobre os conflitos que separaram o continente, xenofobia e as iniciativas artísticas de integração dos povos (a cultura rompendo fronteiras, heis o tema!), fiz as tomas do show, disse hasta luego e me fue.

Mas acordei igual, com uma vontade de conversar mais com o tico, aqueles mistérios. Só que pé na estrada é isso aí, parti de San José e arquivei a idéia.

Com a decisão de não deixar pendências na Costa Rica voltei por Giorgina e decidi eliminar os outros perhaps costa riquenhos. Na cara dura chamei Jaime para uma breja – viajar é sensacional porque deixa mais vivo o Hoje porque amanhã é outro sotaque, outra paisagem; aqui ou é ou não vai ser. Ele topou. Fomos ao Jazz Café San Pedro, um local bacanudo com ótimo repertório todo dia.

Lá Jjaime-esquerda2.jpgaime me contou que tocou no mesmo palco do nosso Chico em Honduras, “meu cantor preferido no Brasil”, fez giras por tantos cantos; falava de música de todo o continente: elogiava Villa Lobos, Gil, murgas uruguaias, salsas caribenhas. Contava que tem que trabalhar como publicitário meio período para pagar as contas (em todo o continente o mesmo, não? Artistas que para fazer arte tem que garantir o aluguel por outro lado). Me hablava de migração, integração, vulcões, ria.

Três cervejas, tantas histórias e nos despedimos. Saí leve, com aquela sensação de encontro, de estar em dia com as vontades. ¡Pura vida!, como se diz por estes lados de cima…

ps1: O post é só uma desculpinha para lincar (aqui!) um clipe do grupo. Logo mais sobe o vídeo que fiz para a TAL deles, aí linco por aqui e posto um pouco da história de Malpais. ¡Buen provecho!

ps2: vale ler o lindo texto de Jaime sobre migração para o jornal Nacion, só clicar aqui!

ps3: uma musiquinha do Malpaís relacionada com a temática migrante: Historias de Nadie