Acabava de falar o bambambam da migração latinoamericana. Metade do auditório levantou para tentar algum contato. Eu fazia parte desta metade. Fui ficando atrás, aproveitando para escutar as perguntas e pedidos em quase off. Faltava uma e era eu. Ela tinha um casaco vermelho em cima de um vestido vermelho em cima da calça jeans. Os olhos brilharam e o punho se manteve firme: “eu estou criando um movimento de mulheres migrantes”. Não era bem isso, mas chamou minha atenção. A guerreira então sentou a uma cadeira de mim, do lado oposto do alemão do post que virá. Cochichando disse que queria falar com ela um pouco, depois. Sentamos juntas para o almoço do tal seminário. Uma de frente para outra quase num espelho. Ela 27. Eu 28. Ela Elizabeth. Eu Eliza. Ela rodando um doc sobre emigradas. Eu propondo um doc sobre emigradas. Ela com aquela coisa de acreditar num sonho, num desejo. De olhar no fundo dos olhos dele e falar: “sairás do plano das idéias, oh idéia”. Eu também, e cada vez mais, amém. Ela migrou seis meses para os EUA. Só no dia seguinte, porque quando o encontro é assim e é possível há de se almoçar de novo, me contou dos perhaps do caminho. Ela migrou por crises inadministráveis no momento. Demissão, fim de namoro, família se desintegrando. Foi para poder sair do redemoinho da vida. Da vida que lhe escapou das mãos. Foi por isso que se pôs em movimento. Na solidão, nos passos, foi se reconstruindo. No norte trabalhou como nunca havia trabalhado. De garçonete de um lado para garçonete no outro. Um dia chegou no trabalho e o chefe disse: “assina o ponto e vamos para a minha casa”. Ela disse “não”. Insistiu no “não”. E não foi. Das cantadas começou a ouvir desaforos: “deixa a sua irmã na minha jaccuzi e está tudo resolvido”. Foi nos chefes do chefe (era uma franquia) e acusou o abusador. Ele inventou mentiras e ela sentiu medo. Um dia chegou no trabalho e ele, a esposa, um suposto advogado e um suposto da migração a aguardavam: “fala publicamente que mentiu e tudo seguirá bem. caso contrário te deportamos”. Elizabeth foi ao banheiro, do celular da amiga ligou para a mãe dela, da amiga. Se acalmou, um pouco, o quanto podia. Saiu e disse que não sairia dali: “então vamos te deportar”, “eu tenho visto”, “mas não pode trabalhar”, “quem disse que eu estou trabalhando? tem algum papel assinado?”. Não tinham. Venceu o cinismo divertido. Porque um patrão que contrata ilegais para pagar menos chamar a deportação é piada de mau gosto. Mas as amigas de Elizabeth que não tinham o visto estampado de turista, ou a coragem rasgada da atriz não haviam chegado tão longe. Haviam ido a casa do patrão. Uma a uma foram se confessando, lamentando, desabafando. Sem detalhes porque a culpa, o asco ou a vergonha não permitiam. O processo da mexicana continua rodando nos EUA. “Soube que outras duas meninas que entraram lá agora, que foram cantadas já denunciaram ele também, aproveitando o processo”. Mas depois de tudo Elizabeth se encontrou com Elizabeth. Não precisava mais estar lá para estar consigo. Voltou.
Hoje, dona de si, dos passos e sorrisos toca seus projetos intensos. Co-dirige uma obra com um espanhol, prepara seu doc de emigradas, das amigas que continuam lá por cima. Um dia veremos a vida que ela editou projetada em algum festival. Prometemos ir para Tijuana juntas. Pensamos em juntar forças. Por hora brindaremos – me voy que és hora do terceiro encontro!
Ps: Elizabeth é a segunda personagem do próximo Saia por Aí: dia 03/09 na GNT!
A menina com a flor amarela na cabeça, o vestido lilás e a sombrinha florida carregava olhos cinzas de quem já não quer mais. Andava tentando livrar-se deles e a cada passo caiam cacos de já não. não mais. Lembranças de dias que não deveriam, não devem, ser lembrados. Aos poucos a mirada se coloria de lilás, de amarelo, de florido, de verde e vermelho. De vida, de sonho. Ela nasceu na França mas a mãe veio das Arábias. A matriarca nunca aceitou não poder ser o que era. E para sê-lo teve que ir. Cruzou a Espanha, cruzou as culturas distantes, tirou as roupas: “eu vim do caminho” me disse a filha. Veio dos passos que buscam mais. A mãe pobre, migrante ralé, começou catando coisas. O dom das artes ficou em alguma lata com o sonho do brilho. Os cinco filhos vivos, dos seis que pariu, puderam dar-se ao luxo de ser mais que sobreviventes. Fouzia sabia da sorte. E por isso lutava contra a tristeza, lutava contra o tempo que não lhe permitia quarenta horas em vinte quatro. E ela sim brilhava: circo, teatro, trabalho social, estudos, e mais, e mais. Mais. Mas era tudo tanto que um dia cansou. Caiu na cama e o frio parisiense congelou os planos. Esfriou os pés. Chorou pelas provas que não lhe garantiam dez. Paralisou pelo amor que não foi, não tanto quanto deveria. Sempre pode mais. Sempre poderia. Cansou de não ser-se. Mas já não sabia. Foi ficando: “queria parar de existir”. “O que é diferente de querer morrer”. Isso ela me disse assim como quem diz. Como quem sabe bem uma e outra coisa. Ela queria virar ar e ir. Ir dali. E então cruzando o parado uma faísca de esperança lhe chegou por email. Ela arrancou o talvez e calçou as meias. e seguiu. Foi. Protegendo-se do sol e entregando-se ao passado presente das ruínas, a francesa de todo o mundo caminhava em busca de si. Ia até que irá. Ah, mas irá.
Talvez, já foi.
Beijo Fouzia. Boas sombras e muito sol!
Ps: Fouzia é personagem, linda, da próxima matéria do Saia Justa.
Voltei.
Vi que tinha voltado quando no posto de migração Guatemala x México perguntei para o oficial se necessitaria pagar toda vez que cruzasse a fronteira Mexico x EUA, porque eu ficaria indo e voltando e ele sem entender me pediu para explicar. Virei para o oficial do outro lado da janela, com meu passaporte em mãos do lado de lá e disse assim, sem pensar nem rir: “é que eu estarei trabalhando lá na fronteira norte: faço tráfico de armas então tenho que ir e voltar o tempo todo” e comecei a gargalhar. Ele respondeu com outra piada e depois riu também. E aí entrei no México com o humor em forma e o pé da sorte. Afinal a sorte que não é tonta costuma acompanhar os risos. (ou seriam os risos que acompanham a sorte?)
Na véspera lia “La mano del emigrante”, um livro lindo com fotos, crônicas jornalísticas sobre sobrevivientes de naufrágio e um conto sobre imigrantes na Inglaterra. Relia a parte que um acidente mata o taxista e um dos migrantes. O outro sobrevive. Triste. Choro. Eu depois de passar o posto migratório entrei numa van com outros tantos gringos de todo lado. Viajava pela janela quando a van freiou. Olho para frente e vejo um fusca vermelho com as laterais totalmente destruídas jogado entre as duas pistas.
Na frente dele um homem ensaguentado, como um fantasma, vem em nossa direção. Dois dos gringos numa rapidez admirável, saem do carro para buscar o kit de primeiro socorro em suas mochilas. Eu paraliso imaginando o segundo migrante, morto dentro do carro. Respiro e sigo. Começo a catar as laranjas e queijo e ferramenta e não-sei-mais-que espalhado pelo asfalto. Vou colocando tudo numa bolsa plástica, tentando resgatar parte da perda para o vivo-morto-vivo e vejo que o outro homem também vivia, inteiro. Consigo então me aproximar e ofereço ajuda. Começo a limpar a testa-sangue, bochecha-sangue, sobrancelha-sangue, a olheira inchada/cortada enquanto um nórdico enrola uma faixa na cabeça um pouco aberta.
O homem me olha com seu olho que por cinco-milímetros-de-sorte-dentro-do-azar continua vendo: “eu nasci de novo. hoje nasci de novo. minha vida recomeça aqui”. Uma energia que não é minha fala por minha boca e começo a bendizer sua nova vida, seus novos sonhos, sua nova sorte. O motorista nos apressa e volto para meu caminho agradecendo o final do livro que a vida me deu. Que a vida lhe deu. Esperança. Viva!
O dia de ontem começou estrainho. Andava na zona 10 da Cidade Guatemala, uma das áreas mais bacanas da capital. No ouvido meu mp3 cantarolava transformando meus passos num videoclipe. Olho para procurar um táxi na batida da batera; vejo os passos da mulher da frente no ritmo do baixo, o carro acelera no refrão. Me sinto a cantora caminhando em busca de sei lá quê e desconecto do mundo real. Enquanto uma coisa meio eletrônica me fazia lembrar a primeira vez que escutei a tal música em casa, em Sampa, um homem me tomou o radinho da mão, quase levou o dedo de brinde, e junto com seu parceiro atravessaram a avenida correndo: “pero está roto!” gritei prevenindo de que não teriam muito lucro com o roubo. Quase ri, porque já nos entendíamos pouco, eu e o mp3 semi quebrado, e continuei o videoclipe, naquele pós música em que o ruído da cidade sobe de volume e a protagonista acaba sua participação em slow motion. Entrei num táxi sem bem entender que tinha sido roubada finalmente (lembra que há dois dias foi por um triz? Agora foi, mas estava com minha câmera na mochila e continuei com ela lá… tudo lindo! E estas são as fotos prometidas do dia do quase!) e fui para a entrevista com Walda Barrios.
Ela, feminista que foi candidata a vice presidência da Guatemala não apenas estuda a questão da migração como viveu a guerra civil do outro lado da fronteira, no Chiapas/México. Entre tantas coisas interessantes que falou uma me fez reacender um monte de sinapses. Ela disse que com a assinatura do acordo de paz, em 1996, depois de quinze anos de vida em San Cristobal não teve vontade de voltar. Sua filha também não quis e hoje vive nos Estados Unidos. O marido e o filho quiseram. Ela acabou voltando porque não queria abrir mão de sua vida a dois, do parceiro da sua vida. Eu já havia escutado estudos sobre isso: as mulheres quando migram logo criam redes, se relacionam com os vizinhos, constroem novos vínculos afetivos, viram daquela terra mesmo. Os homens ficam na nostalgia do que foi, do país distante, do que não tem. Não que seja sempre assim, vejam bem…, mas isto tem se apresentado como uma tendência em minhas andanças. Vou estudar mais para em dezembro preparar uma matéria sobre o tema, lá do lado de cima. Mas voltei pensando nas redes. Fiz mais tantas coisas, sem música, snifs, e a noite já cansada me chega um email que deu outro sabor ao dia: a Dolores deu notícia!
Lembra a menina linda que deu a luz a Bianca Sofia num albergue mexicano? Pois bem, ela já chegou no norte do México. Teve um febrão de 40 graus conseqüência de uma infecção por não ter descansado e comido direito depois do parto. A ambulância veio e ela foi internada. Felizmente o amigo que fez no albergue lá embaixo e que se ofereceu de acompanhá-las até os EUA, Alejandro, lhe trata como bem merece. No hospital descobriram que ela era hondurenha e disseram que iam deportá-la. Ele então se ligou e “sequestrou” a amiga. Agora Dolores se recupera enquanto Alejandro faz as mamadeiras, as comidas e lhe ensina história e inglês. Juntam dinheiro para um coyote cruzá-los para os Estados Unidos, sem ser pelo deserto nem pelo rio, para não colocar em risco a pequena Sofia. Fiquei com o coração na mão de imaginar aquela menina tão doce e linda e frágil lá doente com sua bebê, tão longe da família. E ao mesmo tempo fiquei emocionada de receber notícias. Que as duas e também seu anjo protetor Alejandro cruzem a linha e formem uma rede, uma nova vida no norte! E que estes azares do caminho fiquem pelo caminho… Sorte!
(liguei e a irmã me disse que amanhã e domingo estariam todas fora. que não era de prache mas como eu estava de passagem abriria uma exceção para me atender. era sexta feira fim do dia. acabava de cruzar a fronteira méxico guatemala. briguei na saída porque na entrada me informaram que os sei lá 20 dolares que pagaria seriam válidos para depois quando eu voltasse para o méxico. e na saída me pegaram o papel. usei todos os argumentos racionais que juro que faziam sentido. não existia racional só a lei professada por homens armados. Lei mal escrita que deixava o papel informando o contrário do que ela era. quando o inspetor disse para eu abaixar o tom baixei. mas continuei brigando… em tom baixo. quando disse que chamaria o tenente vi que aquilo só ia fazer com que eu me sentisse mais otária e eles mais poderosos. aqui somos nós que mandamos, não você. não era mesmo. saí sem humor. um triciclo me ofereceu de levar.
Soube que ele estava cobrando a tarifa gringa estúpida mas aceitei para não começar outra briga. pedi um hotel seguro e ele me levou para uma espelunca de um tipo com uma cara pouco segura. vi o quarto com paredes sujas e cama nojenta. 160. agradeci e falei que não queria. cada passo que dava o preço baixava 10. saí e o cara do triciclo se ofereceu de me levar noutro, num bom. eu disse que até poderia pagar aquilo mas não gostava de como eles tinham colocado o dobro do preço de princípio só porque eu era gringa. saí um pouco irritada. subi. ele me disse que cobraria 30 em vez dos 20, sendo que o preço disso seria 5 (era a tarifa 400% para gringas apressadas que brigam na fronteira). agradeci e disse que iria a pé. falou não tudo bem, te deixo num bom aqui. espelunca de primeira. abriu um quarto com paredes ainda mais sujas – uma marca expressionista de uma mão na parede chamou a atenção, os cinco dedos ali - no fundo do estacionamento. 150. para mim é muito. temos de 75. sobe escadas decrépitas até um mais sujo, nojento. penso em mim escrevendo no meu mac-book-pro-2.2-duo-core-sei-lá-o-que naquele lugar. penso neu saindo dali e deixando meu equipamento no quarto seguro. saio. agradeço. até a porta do hotel o mesmo quarto foi oferecido por quarenta. agradeço e em baixo tom, até simpática fui, digo que era uma pena, se tivessem me falado este preço de início eu ficaria. respiro e lembro que quanto pior me coloco piores coisas atraio. está tudo bem. é só uma cidade de fronteira cheia de pessoas que fazem tráfico de gente e de drogas. em que a corrupção é a lei. já sabia disso antes de sair de casa. então pronto. pôr do sol lindo do lado direito da praça, no fim da rua. busco olhares com amor para pedir uma informação. uma mulher com olhos saltados de quem já viu tudo e pouco importa. não. um homem que não. respiro. ar dentro. ar fora. que bom que boa parte de minha bagagem está na cidade da guatemala. um olhar doce, achei! entro. era algo da paróquia. o homem de bom olhar, miguel, não sabe de hospedagem. mas a moça que ia saindo com sua barriga de nenem sabia. bem, só pode ser o don carlos. chego e havia até recepção com preço por escrito para que tarifa gringa e local sejam a mesma. um menino diz 175. y con descuento? uma mulher me olha e diz 160 é o mínimo. soube que tudo tem que ser barganhado na guatemala. e gosto dela. tem cara de uma mulher de verdade. subo. a porta abre e me revela o quarto mais lindo da viagem. claro que não é. mas agora é. deixo o mac bok pro e todo meu tesouro pessoal – minha produtora e passaporte – no quarto sem nóias. isso é que não tem preço. saio para buscar o contato das irmãs que trabalham com prostituição. o mesmo miguel me dá o número. compro um chip para meu celular. ligo. e é aqui que começa a história. mas o post ficou grande. o prólogo está feito. amanhã vem o que é.)
A namorada de Donar se foi. Com a ajuda da irmã cruzou de Honduras para os States. Dois anos depois combinou com o namorido que se ele chegasse até a fronteira norte do México ela e a irmã pagariam para um coiote cruza-lo. Assim ele saiu com conterrâneos seus, alguns que já haviam feito o caminho. Cruzaram a Guatemala e aguardaram o trem em Tapachula, no Chiapas mexicano há cinco anos. Na mesma cidade encontro Donar depois costurando bolsas para guardar celular no Albergue Bom Jesus. Buscando o tom comecei a perguntar sua história até chegar no ponto em que o trem freiou de repente e Donar, desprevenido, caiu de cima do vagão e assistiu a navalha dos trilhos lhe arrancarem as pernas.”Foi uma hora ali sozinho. Até que um homem de uma cidadezinha passou e me socorreu. Eu lembro da voz dele mas o rosto não sei porque eu já não via nada, só claridade.” Foi para o hospital e o primeiro mês foi de depressão, “a vontade de morrer era maior que a de viver”. Sem auto-piedade foi buscando no silêncio força. “Até que achei força com meu amigo invisível” e olha para o poster de Jesus Cristo na parede da sala de costuras. “Mas como foi na recuperação, você teve algum amigo ou alguém da família junto?”, pergunto depois de medir cada palavra. “Não” e pausa pensando um pouco: “Mas isso é melhor porque alguém da família ia ficar com dó da minha situação, querendo me ajudar de qualquer jeito. Sozinho eu descobri minha força, montei uma nova vida”. A fala de Domar contava desgraças com olhos doces e gargalhadas divertidas: “Não sou vítima” repete convicto.
Em San Salvador tive a sorte de cruzar com um festival de filmes sobre migração no Centro Cultural Espanha. Por dez horas seguidas fiz uma maratona de viagens através de ficções e documentários. Um deles eu realmente gostei: o doc do alemão Uli Stelzner cruza o México com os indocumentados escutando suas histórias e sonhos.
O que achei mais bacana é o respeito com que Uli trata seus personagens: pergunta com franqueza, sem dó nem arrogância. Posto aqui um trecho do filme para que outros possam embarcar na viagem. E bem, ele viajou sozinho com sua camerita, me identifiquei bastante… Semana que vem sou eu quem subo no trem! Hasta!
ps: sorry, as legendas do doc em espanhol estão em alemão… Mas acho que dá para acompanhar bastante.
ps2: a madre soltera cochilando me arrepia a alma…
Seguindo a trilha das latinas do Panamá aos Estados Unidos, a jornalista Eliza Capai coleta histórias de mulheres que não se importam com as linhas imaginárias. O blog fala de quem une um continente com passos e também de quem, pelo traço e som, tenta juntar os pontos do continente separado. O blog, no final, virará um livro. Você também pode conferir as reportagens de Eliza no programa "Saia
Justa" (GNT, quartas, 22h30).
Fale com a ela: elizacapai@yahoo.com.br
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Roteiro da viagem
25 de março - 12 de abril: Panamá 13 de abril - 26 de maio: Costa Rica 27 de maio - 21 de junho: Nicarágua 22 de junho - 12 de julho: Honduras 13 de julho - 18 de julho: Mexico 19 de julho - 30 de julho: Guatemala 31 de julho - 13 de agosto: Belize 14 de agosto - 17 de setembro: México 18 de setembro: Estados Unidos