13 de Janeiro de 2009

artista de onde?

O que que você conhece de cultura da América Central?

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Quando a Malu Viana da Televisión América Latina me propôs produzir mini documentários sobre cultura na América do meio amei a idéia e me fiz a tal pergunta…. “Não conheço nada não….” conclui para mim mesma com um pouco de vergonha e um tanto de curiosidade. Fui repetindo a pergunta para os amigos antenados e bacaninhas e a resposta também se repetia: “conheço nada não…” Assim agarrei a idéia e aos poucos fui me embrenhando naquele outro mundo - colorido, sonoro, gingado. Foi na entrevista com Jaime do grupo Malpaís da Costa Rica que entendi que a arte no sub-continente - tão perto dos Estados Unidos e tão marcado por guerras civis - servia como elo entre os países. Fui vendo que os grupos de teatro, de dança; que os textos e as músicas serviam ali como abraço entre as pátrias muitas vezes brigadas e xenófobas. Que os artistas cruzavam com seus traços e melodias as fronteiras transparentes e desintegrantes; cruzavam sem visto, sem carimbo, iam vibrando. Fui me apaixonando por cada um dos entrevistados e sonhando com o dia que as notas entrassem na rede, rompendo as fronteiras, servindo de integraçãozinha entre nós latinos do sul com os do meio. E foi só pisar de volta aqui que as matérias chegaram. Na página da Televisión América Latina dois dos quatorze mini docs estão online. Aqui Malpaís e Claudia Hernandez - que passearam pelo blog há tempos em textinhos apaixonados (siga os links!) - chegaram com voz e gestos na net! Buen provecho!


24 de Maio de 2008

encontros e reencontros

jaime-direita.jpg Sabe quando uma idéia está bem no fundinho da caxola mas se esconde, não se explica? O argumento para o documentário para a Televisión America Latina (TAL) estava assim, esquivadinho mas quase vindo quando fui gravar com um dos principais grupos da Costa Rica, Malpaís. Em cinco minutos de papo pós camera com o baixista Jaime, puf!, a sinapse final! “Posso gravar o que você me disse, se não vou acordar amanhã e pensar por que não gravei…?” Gravamos dez minutos sobre os conflitos que separaram o continente, xenofobia e as iniciativas artísticas de integração dos povos (a cultura rompendo fronteiras, heis o tema!), fiz as tomas do show, disse hasta luego e me fue.

Mas acordei igual, com uma vontade de conversar mais com o tico, aqueles mistérios. Só que pé na estrada é isso aí, parti de San José e arquivei a idéia.

Com a decisão de não deixar pendências na Costa Rica voltei por Giorgina e decidi eliminar os outros perhaps costa riquenhos. Na cara dura chamei Jaime para uma breja – viajar é sensacional porque deixa mais vivo o Hoje porque amanhã é outro sotaque, outra paisagem; aqui ou é ou não vai ser. Ele topou. Fomos ao Jazz Café San Pedro, um local bacanudo com ótimo repertório todo dia.

Lá Jjaime-esquerda2.jpgaime me contou que tocou no mesmo palco do nosso Chico em Honduras, “meu cantor preferido no Brasil”, fez giras por tantos cantos; falava de música de todo o continente: elogiava Villa Lobos, Gil, murgas uruguaias, salsas caribenhas. Contava que tem que trabalhar como publicitário meio período para pagar as contas (em todo o continente o mesmo, não? Artistas que para fazer arte tem que garantir o aluguel por outro lado). Me hablava de migração, integração, vulcões, ria.

Três cervejas, tantas histórias e nos despedimos. Saí leve, com aquela sensação de encontro, de estar em dia com as vontades. ¡Pura vida!, como se diz por estes lados de cima…

ps1: O post é só uma desculpinha para lincar (aqui!) um clipe do grupo. Logo mais sobe o vídeo que fiz para a TAL deles, aí linco por aqui e posto um pouco da história de Malpais. ¡Buen provecho!

ps2: vale ler o lindo texto de Jaime sobre migração para o jornal Nacion, só clicar aqui!

ps3: uma musiquinha do Malpaís relacionada com a temática migrante: Historias de Nadie