03 de Novembro de 2008

ziriguidum x trick or truck

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ou a guerra entre as bruxas e os palhaços.

ou prefiro abóbora ou carne?

Era dia de parade. Haviam me contado que o tal halloween numa rua do Village, NYC, era uma coisa cool tipo bloquinho de carnaval no Rio. Me animei vendo as fantasias geniais (a monalisa não é um escândalo?) e depois de gravar a matéria do Saia Justa – deliciosa! no ar dia 12 de novembro! – saí toda sorridente: “cadê a batucada?” pensavam meus quadris cariocas. Aí me assalta a incompreensão do diferente. Já sei, viajar e tentar entender outra cultura é se chocar, amaciar, tentar ver de novo, colocar a lente do olho do outro e assim neste esforço antropológico, humano, sei lá o que, ver o que talvez seja ou podia ser. Mas ali não rolou de entender.

A rua onde passa o tal bloquinho é cercada por grades e mais grades e por um esquema policial. Dentro desfilam algumas pessoas que igual as de fora se fantasiaram. Não é um carnaval de Salvador em que se cobra para estar dentro da corda. Nem um do Rio que tem a proteção da bateria e que as colombinas vão se deliciando caminhando lado a lado ou esperando lá na esquina o ziriguidum. Aqui pela ordem cívica, pela segurança, proteção contra o terror se proibe uns e outros de estarem juntos. Porque é perigoso. Lembrei da frase de um amigo, que talvez nem seja dele, mas que é excelente: “a liberdade e a segurança são inversamente proporcionais”. E meu olhos brasucas tinham a sensação de que as pessoas estavam mais preocupadas em exibir suas fantasias que de fato curtirem, uhu! E aqui com a cabeça aí fiquei pensando em quão diferente são as nossas culturas.

halloween-3.jpgUma se caracteriza por uma festa de bruxas, onde se pede doces ou se ameaça travessuras; que quer mais exibir a fantasia que se alegrar por ser este outro, em que a graça é apavorar, assustar, buh! Outra tem como festa nacional a festa de dionísio, da carne, da inversão; onde o excesso – de dança, de suor, de sexo, de alcool – guia os corpos á exaustão da alegria; em que se sorri em se viver este outro, em não ser-se, em ser-se um pouco mais. A interpretação primeira disto seria de que – oh sabiás! – um é o país liberado, alegre, do sorriso, do prazer. Outro puritano, frio, das aparencias. Pode ser. Acho até que pode ser mesmo. Mas se vamos mais um pouco nos reflexos (ovo ou galinha?) um é o país em que as regras funcionam, as leis funcionam e tantas coisas funcionam e por isto é um primeiro mundo, um sonho para quem está fora. O outro é o do jeitinho daqui e dali, das cidades mal estruturadas, não arquitetadas, poluídas, traficadas.

carnaval-no-rio.jpgSei lá onde vai este post. Comparar países, (pré) julgá-los por pedaços de seu todo não me parece nada coerente. Até porque o que faço aqui é superficial, papo de botequim com mé. Mas ali, trancada para fora da alegria, sem poder chegar na entrada nem convencer o policial de entrar pela lateral (claro que meu ladinho brasileira tentou…), sem ouvir nenhum ziriguidum, reco reco, tum tum esqueci toda a admiração por Nova Iorque que sinto. Detestei a organização, o metro que funciona, a beleza arquitetônica, o tudo certo, all right!… E desejei com meus dois pés, cintura, cadeira, com toda a minha disritmia o caos, a barbárie, a confusão, o vai indo que chega, tum tum tum, quanto riso, oh! quanta alegria! ziriguidum loló cerveja na rua (já imaginou carnaval sem cerveja na rua? pois é. aqui é), fantasia de pano de beijo de suor de ai de ui. de a, é i o u y. Ok, dia 21 de fevereiro Rio!

Ps: depois do ziriguidum, no trânsito carioca - no táxi parado entre carros manobrando pessimamente - provavelmente desejarei o metro nova iorquino para voltar para casa… assim somos.

Ps2: esta foto última é do último carnaval meu. Ria!

Ps3: qual a lembrança de incompreensão – pré-conceituosa que seja – que você já sentiu fora, longe, lá?


27 de Outubro de 2008

sonho de uma noite de outono

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Tive aqueles sonhos que juntam tudo junto. Na vida acordada me preparava para conhecer um quarto para alugar. Havia ficado chocada com a publicidade pró-guerra nas ruas da cidade, na sala de cinema. Havia recomeçado a ler História da Sexualidade. Liquidificador. Aí sonho que falo em português familiar com uma mulher que aluga quarto. Uma casa circular, meio torre, meio o panóptico de Foucalt. Na casa um dos quartos era ligado ao banheiro por uma ponte levadiça. A ponte tinha caído uma vez e a menina quase morrido, me contou meio rindo a mulher simpática mostrando a corda branca arrebentada. Eu ficava imaginando o que significa morar numa casa com banheiro suspenso externo num lugar que neva. A casa era toda branca muito branca. Coisa de sonho mesmo. Aí eu pedia desculpa se ela não fosse me entender. Falava, sentada na mesa branca e quadrada da cozinha branca, que achava que um menino que topa ir para o exército, sabendo que provavelmente matará civis inocentes para poder melhorar sua própria vida, ter direito a seguro de saúde e universidade… que isso não era justo não. Egoísta mesmo. Que é o mesmo que o menino da favela que topa ir para a guerra do tráfico sabendo que vai matar civil inocente. Mas que a diferença é que o governo democrático, que assim se diz, democrático, coloca outdoors promovendo um. E toda a sociedade condena o outro. guerra-01.jpgQue aquilo tava tudo errado. Mas mais errado que tudo foi quando em bom e alto som tocou o despertador. Acordei sem sair do lugar. Com as mesmas questões. Sem os comentários da proprietária, o meu outro eu que tem a casa e ri da escada que cai enquanto este eu se choca. A dona da cabeça toda. Tentei os cinco minutinhos extras de soneca para ver se ela eu me respondia a solução das guerras do mundo. Do panóptico. Dos banheiros. Mas ela não voltou. Já foi.


03 de Outubro de 2008

jogo na tv

ou: Can I call you Joe?

Ontem foi dia de jogo da segunda divisão: em campo Biden x Palin.

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Eu fui assistir a disputa na casa de uma americana bacana, Sara, junto com umas outras oito pessoas daqui de cima. Ali todos torciam para Biden! Assim, quando ele passava a bola por debaixo da perna da adversária resumindo em 30 segundos e com confiança números e bons argumentos a arquibancada ria, “hahaha”, lambusava-se de prazer. Quando a rival introduzia a resposta com asneiras se escutava um “uuuuuhhh” na sala, como um passe de bola errado do adversário, uma bola na trave, “tum”! Não lembro quando nem onde mas uma vez li um estudo que falava que os locais do cerébro ativados quando se fala de futebol e de política eram os mesmos, exatamente os mesmos. Assim, discutir corintians x palmeiras ou obama x mccain dá igual. E ali era isto.

Eu que também torcia mas não entendia bem as regras do jogo xingava baixinho quando a mulher de topete grande com seu sorriso de miss congelado defendia a invasão do iraque e de qualquer um daqueles países “onde os ditadores não gostam de nós americanos”. Dava vontade de jogar tomate, xingar a mãe, chutar a canela. A verdade é que eu não entendia como se pode defender a guerra em campo, assim com argumentos numéricos que não falam dos mortos, nem mesmo dos próprios soldados mortos. Acho que é meio coisa de quem é da seleção brasileira e desde o terrível e lamentável massacre em campo paraguaio não escuta o técnico falando asneiras deste tamanho, com este tipo de estratégia suja e covarde. E tudo em nome de proteção nacional?

Depois de passar pela Guatemala com seu saldo de 200 mil mortos e desaparecidos por uma guerra civil financiada pelos EUA, de ver a América Central toda destruída por guerras civis nas últimas décadas - contra o comunismo, pela segurança nacional de outros tempos - com um déficit de tudo e assinando contratos de livre comércio com os Estados Unidos que só destruirão ainda mais suas economias falidas - pelo livre comércio minha gente, liberdade a todo custo! -, o México invadido pelas pets e obesos com um presidente que obedece ao patrão de cima… escutar defesa de “guerra contra aqueles ditadores que não gostam de nós americanos”? Parece moleque que joga pedra na vidraça da vizinha e depois não entende porque ela ficou brava. Coisa de mimado dono da bola. Assim, quando ela corria em campo para o lado que queria, sem responder a pergunta feita, só recitando o texto decorado, exibindo a embaixadinha que treinou, tudo sem tirar o mesmo sorriso de o que importa é que sou gatinha, ai meu deus… Tudo que não entendo vendo os 22 homens no gramado e os torcedores enlouquecidos no Pacaembu/Palmeiras/Maracanã/mesa de bar entendi ali. Agora conto os dias para a final: faltam 32 dias para o embate que decide não apenas a segurança nacional e as questões internas; faltam 32 dias para uma partida que respinga em todos nós que habitamos este grande campo do mundo.

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ps: para assitir o jogo com direito a legendinha em inglês clique aqui!


02 de Outubro de 2008

filme americano

Ou o dia em que fui Caetano.

Ou olha eu aqui de novo no novo!

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Como um pouco de esquerda, um pouco revoltada, um tanto que foge dos filmes hollywoodianos para ver qualquer outro de fora do circuito que sou cruzei para o norte. Toda a chatice da fronteira, onde um homem branco e grande e gordo bem gordo, com seu uniforme de policial e seu copo de alguma coisa 700 ml - casting perfeito dos filmes de LA - me fez todas as perguntas que já me haviam feito - de novo - tirou todas as digitais que já haviam tirado - de novo.

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Passado o esperado entrei num ônibus destes que se visse num dos movies que não gosto reclamaria: “estereotipa tudo esta maldita indústria do cinema”. Primeiro um motorista que tinha cara de mexicano mas que não era e que me ajudou a repensar o caminho porque o furacão que passou por ali fechou algumas estradas; no final – porque até chorar baixinho chorei quando não sabia para one-way-3.jpgonde ir no maior estilo i am lost in america – ele se despediu: “tu tienes un problema: és muy inteligente, very smart. Hace más preguntas de lo que yo puedo responder”. Fiquei surpresa com a crítica e entrei noutro ônibus guiado por um negão que fazia piadas com seu sotaque do sul que eu não entendia. Nada. Não, não andem de ônibus nos Estados, lhes digo com a propriedade de quem andou de ônibus na Nicarágua. Aqui te cobram muito e te oferecem pouco – lá pelo menos te cobram pouco. Mas naqone-way-4.jpguele you are wellcome inusitado fui vendo os filmes B sentarem do meu lado. Em um trecho uma mulher obesa brigava com a filha sempre que ela fizesse qualquer coisa - qualquer. O xingamento começava no stop e acabava no parate! sempre com tapas entrecortando as palavras. Uma hora olhei para ela com cara de stop e ela me retribui com seu olhar de lentes azuis em olhos latinos um “to afim de brigar, vai encarar?” Desviei o olho sem lente e que de tanta cor ficou preto para o outro lado da janela. Por ali passavam lagoas, lagos, florestas destas bem verdes mas com os galhinhos finos do norte. Nas beiras lojas grandes-gigantes onde se vende tudo-em-muito e por-pouco. Cruzavam carros grandes-gigantes-novos. Entravam meninos bonitos com tatuagens, meninas de cabelos coloridos, senhoras de olhos azuis, multidões de obesas que reabasteciam seus sonhos nos burguer kings do caminho, negros, línguas inglesas e espanholas. Tudo era muito. Tudo foi indo nos estereótipos e no fantástico até parar em New Orleans – depois, bem depois, afinal as horas também foram muitas - onde os superlativos do bom gosto passaram a habitar meus olhos ouvidos boca quadril.
Na rua pretos com seus instrumentos douro enchiam o corpo das brancas de sensualidade. Elas desciam até o asfalto num requebrar que deixaram meu liberalismo brasileiro encabulado. Com o taco mexicano na mão olhei para o lado disfarçando a timidez. Ali do lado orientais devoravam suas também comidas mexicanas e bêbados de todas as cores sacolejavam.
Ali eu era Caetano. Saí do Brasil torcendo para o Chico – as vezes parece queone-way-2.jpg discutir os dois é como estar na mesa de bar falando de flaflu – mas ali, no meio daquilo tudo que era tudo e tudo eu amei Caetano.

Pela primeira vez eu era ele.

Ps: esta é a música em que fui Caetano!


27 de Agosto de 2008

Elizabeth encontra Elizabeth

Cidade do México. 21 de agosto.

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Acabava de falar o bambambam da migração latinoamericana. Metade do auditório levantou para tentar algum contato. Eu fazia parte desta metade. Fui ficando atrás, aproveitando para escutar as perguntas e pedidos em quase off. Faltava uma e era eu. Ela tinha um casaco vermelho em cima de um vestido vermelho em cima da calça jeans. Os olhos brilharam e o punho se manteve firme: “eu estou criando um movimento de mulheres migrantes”. Não era bem isso, mas chamou minha atenção. A guerreira então sentou a uma cadeira de mim, do lado oposto do alemão do post que virá. Cochichando disse que queria falar com ela um pouco, depois. Sentamos juntas para o almoço do tal seminário. Uma de frente para outra quase num espelho. Ela 27. Eu 28. Ela Elizabeth. Eu Eliza. Ela rodando um doc sobre emigradas. Eu propondo um doc sobre emigradas. Ela com aquela coisa de acreditar num sonho, num desejo. De olhar no fundo dos olhos dele e falar: “sairás do plano das idéias, oh idéia”. Eu também, e cada vez mais, amém. Ela migrou seis meses para os EUA. Só no dia seguinte, porque quando o encontro é assim e é possível há de se almoçar de novo, me contou dos perhaps do caminho. Ela migrou por crises inadministráveis no momento. Demissão, fim de namoro, família se desintegrando. Foi para poder sair do redemoinho da vida. Da vida que lhe escapou das mãos. Foi por isso que se pôs em movimento. Na solidão, nos passos, foi se reconstruindo. No norte trabalhou como nunca havia trabalhado. De garçonete de um lado para garçonete no outro. Um dia chegou no trabalho e o chefe disse: “assina o ponto e vamos para a minha casa”. Ela disse “não”. Insistiu no “não”. E não foi. Das cantadas começou a ouvir desaforos: “deixa a sua irmã na minha jaccuzi e está tudo resolvido”. Foi nos chefes do chefe (era uma franquia) e acusou o abusador. Ele inventou mentiras e ela sentiu medo. Um dia chegou no trabalho e ele, a esposa, um suposto advogado e um suposto da migração a aguardavam: “fala publicamente que mentiu e tudo seguirá bem. caso contrário te deportamos”. Elizabeth foi ao banheiro, do celular da amiga ligou para a mãe dela, da amiga. Se acalmou, um pouco, o quanto podia. Saiu e disse que não sairia dali: “então vamos te deportar”, “eu tenho visto”, “mas não pode trabalhar”, “quem disse que eu estou trabalhando? tem algum papel assinado?”. Não tinham. Venceu o cinismo divertido. Porque um patrão que contrata ilegais para pagar menos chamar a deportação é piada de mau gosto. Mas as amigas de Elizabeth que não tinham o visto estampado de turista, ou a coragem rasgada da atriz não haviam chegado tão longe. Haviam ido a casa do patrão. Uma a uma foram se confessando, lamentando, desabafando. Sem detalhes porque a culpa, o asco ou a vergonha não permitiam. O processo da mexicana continua rodando nos EUA. “Soube que outras duas meninas que entraram lá agora, que foram cantadas já denunciaram ele também, aproveitando o processo”. Mas depois de tudo Elizabeth se encontrou com Elizabeth. Não precisava mais estar lá para estar consigo. Voltou.

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Hoje, dona de si, dos passos e sorrisos toca seus projetos intensos. Co-dirige uma obra com um espanhol, prepara seu doc de emigradas, das amigas que continuam lá por cima. Um dia veremos a vida que ela editou projetada em algum festival. Prometemos ir para Tijuana juntas. Pensamos em juntar forças. Por hora brindaremos – me voy que és hora do terceiro encontro!

Ps: Elizabeth é a segunda personagem do próximo Saia por Aí: dia 03/09 na GNT!


26 de Agosto de 2008

fouzia em busca de fouzia

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A menina com a flor amarela na cabeça, o vestido lilás e a sombrinha florida carregava olhos cinzas de quem já não quer mais. Andava tentando livrar-se deles e a cada passo caiam cacos de já não. não mais. Lembranças de dias que não deveriam, não devem, ser lembrados. Aos poucos a mirada se coloria de lilás, de amarelo, de florido, de verde e vermelho. De vida, de sonho. Ela nasceu na França mas a mãe veio das Arábias. A matriarca nunca aceitou não poder ser o que era. E para sê-lo teve que ir. Cruzou a Espanha, cruzou as culturas distantes, tirou as roupas: “eu vim do caminho” me disse a filha. Veio dos passos que buscam mais. A mãe pobre, migrante ralé, começou catando coisas. O dom das artes ficou em alguma lata com o sonho do brilho. Os cinco filhos vivos, dos seis que pariu, puderam dar-se ao luxo de ser mais que sobreviventes. Fouzia sabia da sorte. E por isso lutava contra a tristeza, lutava contra o tempo que não lhe permitia quarenta horas em vinte quatro. E ela sim brilhava: circo, teatro, trabalho social, estudofouzia02.jpgs, e mais, e mais. Mais. Mas era tudo tanto que um dia cansou. Caiu na cama e o frio parisiense congelou os planos. Esfriou os pés. Chorou pelas provas que não lhe garantiam dez. Paralisou pelo amor que não foi, não tanto quanto deveria. Sempre pode mais. Sempre poderia. Cansou de não ser-se. Mas já não sabia. Foi ficando: “queria parar de existir”. “O que é diferente de querer morrer”. Isso ela me disse assim como quem diz. Como quem sabe bem uma e outra coisa. Ela queria virar ar e ir. Ir dali. E então cruzando o parado uma faísca de esperança lhe chegou por email. Ela arrancou o talvez e calçou as meias. e seguiu. Foi. Protegendo-se do sol e entregando-se ao passado presente das ruínas, a francesa de todo o mundo caminhava em busca de si. Ia até que irá. Ah, mas irá.

Talvez, já foi.

Beijo Fouzia. Boas sombras e muito sol!

Ps: Fouzia é personagem, linda, da próxima matéria do Saia Justa.


11 de Julho de 2008

Asalto al sueno

Em San Salvador tive a sorte de cruzar com um festival de filmes sobre migração no Centro Cultural Espanha. Por dez horas seguidas fiz uma maratona de viagens através de ficções e documentários. Um deles eu realmente gostei: o doc do alemão Uli Stelzner cruza o México com os indocumentados escutando suas histórias e sonhos.

O que achei mais bacana é o respeito com que Uli trata seus personagens: pergunta com franqueza, sem dó nem arrogância. Posto aqui um trecho do filme para que outros possam embarcar na viagem. E bem, ele viajou sozinho com sua camerita, me identifiquei bastante… Semana que vem sou eu quem subo no trem! Hasta!

ps: sorry, as legendas do doc em espanhol estão em alemão… Mas acho que dá para acompanhar bastante.
ps2: a madre soltera cochilando me arrepia a alma…