Medo no Saia Justa…
Lembra aquele textinho que escrevi sobre medo… pois bem, para afastá-lo de mim um pouquito propus este vídeo para o Saia Justa.
Para quem não viu, lá vai!
Lembra aquele textinho que escrevi sobre medo… pois bem, para afastá-lo de mim um pouquito propus este vídeo para o Saia Justa.
Para quem não viu, lá vai!
O marido de Alicia vivia há quatro anos em Houston. Saudoso vendeu o carro e tudo que tinha e pagou 12 mil dólares para um coiote transportar a mulher e a filha de quatro anos para os Estados Unidos. E assim as duas saíram no dia 30 de novembro de 2004 de Juayua, região Ocidental de El Salvador rumando para o norte. Antonio, pai de Alicia passou um mês sem receber notícias delas. “Eu e minha mulher ficamos doentes, nos falaram que elas iriam direto e que do México voariam para os Estados Unidos”.
Um dia um homem com uma voz exigente ligou para Antonio a meia noite. Pediu 800 dólares para que ajudasse a filha doente. Depois de pedir passou o gancho para Alicia: “estou bem pai, estou bem.” Antonio ficou mais tranqüilo e enviou os 800 dólares no dia seguinte. Passados dois dias o coiote ligou novamente e pediu outros seiscentos dólares. Antonio enviou o dinheiro e assim outras quatro vezes: “já estava bem endividado, mas o que podia fazer?” Alicia então escapou do hotel e ligou para o pai. Contou que estavam presas no quarto sem receber comida enquanto o coiote bebia o dia inteiro. Pediu outros mil dólares para que a mãe do coiote cruzasse até os Estados Unidos com elas. Depósito feito chegaram a terra do Tio Sam. Pagaram um tanto mais para chegar em Houston e em 14 de fevereiro de 2005 acabou a saga de Alicia e o sofrimento de seus pais em El Salvador.
A menina de 23 anos então começou a trabalhar numa pizzaria ganhando US$ 6,50 por hora. Hoje já ganha três dólares mais a cada sessenta minutos. No último ano o marido se juntou com uma americana e Alicia se mudou da casa de dois quartos – de 1.200 dólares - para um quarto de 400 na casa-de-não-sei-quem. A filhinha que já fala bem inglês e acaba o primário fica com os vizinhos conterrâneos (da cidade de Sonsonate, ao lado da bela Juayua) enquanto a mãe trabalha. Assim Alicia paga as contas, freqüenta uma igreja evangélica e envia 200 dólares mensais para os pais. “Isto nos ajuda muito”. Antonio dos 510 dólares mensais que ganha como professor recebe 240 líquido. “Com o que ela envia compramos comida”. Quando pergunto como é viver longe da filha, da saudade, Antonio muda o tom de voz, começa a responder e engasga. Se levanta, sai da sala. Sinto vergonha de ter feito aquele senhor se lembrar do pior que sentiu. Ele volta depois de um minuto: “Ficamos doentes com tudo isso, o preço emocional que eu e minha mulher pagamos é muito alto. Então oramos, oramos muito porque é só isso que podemos fazer”. Não podia mais nada perguntar. Agradeci. E lamentei.