25 de Novembro de 2008

O nome dela é Val!

ou um dia minha história ainda vai ser filme

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A história começa boa. Tava eu no elevador com uma americana amada dos olhos azuis falando espanhol porque havíamos acabado um entrevista com uma dominicana e ainda não havíamos voltado a chavinha inglês. Aí pára, abre a porta, entra uma morena. Fecha a porta: “Hola! Eliza, esta és Val. Val, Eliza” Em espanhol. “Hola, un gusto, como estás?” Aí a loira bem loira com os olhos bem azuis e com um espanhol espanhol bem pouco gringo grita: “pero no no, ella és brasileña”. “Cê também menina?” Papo rápido, abre a porta, foi. Assim é Nova Iorque. Aí naquela noite - ou noutra - barzinho, long neck de sete dólares e quem chega? Val! Assim é Nova Iorque. Papo vai, cerveja desce, a pernambucana vai contando da mãe que saiu do sertão - “O mundo não podia ser só aquilo não” -, dos dezessete filhos que Dona Alexandrina pariu, das seis irmãs que continuam vivas. De ir para o Rio e ser favelada. De mudar para São Paulo mais escolarizada. De por fim, Nova Iorque para ser-se sem rótulos, sem medo, sem porra nenhuma. ..”Senhorita… de onde veio não importa, já passou… o que importa é saber pra onde eu vou” me diria tantas semanas depois citando Zé Geraldo. Mais cerveja e Val ia resumindo todas as histórias que vi nestes últimos oito meses. Ia resumindo em sua vida, em sua mãe, em suas irmãs o périplo das mulheres que sonham com algo mais, que vão. “Um dia minha história ainda vai ser filme”, me repetia com sotaque de rio de nordeste de val. Passou o álcool, a ressaca e a danada ficou na minha cabeça. “Um dia minha história ainda vai ser filme”. Sentei com ela para uma entrevista para a revista. Pensei, pensei: “Val, bóra fazer um documentário?”. Val abraçou a idéia toda: “tem muita gente que vai saber é por este filme que eu sou favelada. Sou não, fui né?” ria entrando em seu apartamento em Manhattan.

ps: Bem, o doc começa a ser rodado em dezembro aqui. Depois sigo para gravar a família de Val em São Paulo, Rio, Pernambuco. Bom demais. Mas o doc começa assim como as boas coisas costumam começar: na garra. No sonho de Val de ter sua história no cinema; no sonho meu de resumir as histórias todas que vi nesta viagem num belo doc. Se você quer ajudar os sonhos a andarem bem andados menos perrengueados, aqui vai a cantada: o doc da Georgina chegou na semi final do concurso Migr@tions. Se ganhar, além da grana que óbvio daria para mãe e filho entrevistados uma parte entraria para bancar os custos iniciais da Meu nome é Val. Simbora ajudar?

Onde: aqui!!!!

Como: dê todas as estrelinhas - ou quantas achar que vale, tudo bem, tudo bem - para o curta Georgina’s Magic Wand.

israel-com-margem.jpgPara isso clique nele em cima (na fotinho que nem esta aqui) e depois em “Rate Now! Win an Ipod” - sim, você ainda concorre a um Ipod! Aí confirma o email e depois de dar a estrelinha confirma no quadrinhozinho que vai aparecer. Vai lá! É muito mais fácil que esta explicação! Juro… Obrigada! Obrigadíssima! A semi final acaba no dia 26! So, a hora é agora!


16 de Novembro de 2008

Chorinhozinho

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Foi só fechar o olho. Flauta, pandeiro, violão. Quadril ziriguidum. Som para dentro. Tudo aquilo que já conhecia e ali tão novo. Dançava em outro lugar. Dançava em casa. Sabia onde cada um dos amigos intímos estaria. Quem pedia a saideira. Quem insistia para ficar. Os beijos no banheiro, escondidinhos, como quem rouba, sorri e sai no ritmo. Os flertes entre passadas. Os corpos que se encostam pedindo mais. Os olhos, cerveja na mão, cigarro na boca, desejo no corpo inteiro. Os pés que se atraem. Vestido azul. Vestido vermelho. Lu, cadê você Iemanjá? Seis cordas. Sete cordas. Cidão. Risos. Muitos. Uma voz que sobe mais com toda a alegria. Toda a tristeza. Tudo o que é voz. Estava tudo ali nos acordes. Nos quadris. Na saudade. O olho abria e Nova Iorque voltava. Vinho para a banda. Cigarro só lá fora. Casacos e botas. Mas era só o pandeiro chorar, chorinho, quadril, olho baixinho. Voltava: vendo dentro e atrás tudo era o que há muito tempo já não. Sonho. Dança. Samba. Casa. Tum.

Ps: depois de oito meses, um choro bem tocado na abertura de um festival de docs brasucas em Nova Iorque! Para ver a programação, siga o link!


11 de Julho de 2008

Asalto al sueno

Em San Salvador tive a sorte de cruzar com um festival de filmes sobre migração no Centro Cultural Espanha. Por dez horas seguidas fiz uma maratona de viagens através de ficções e documentários. Um deles eu realmente gostei: o doc do alemão Uli Stelzner cruza o México com os indocumentados escutando suas histórias e sonhos.

O que achei mais bacana é o respeito com que Uli trata seus personagens: pergunta com franqueza, sem dó nem arrogância. Posto aqui um trecho do filme para que outros possam embarcar na viagem. E bem, ele viajou sozinho com sua camerita, me identifiquei bastante… Semana que vem sou eu quem subo no trem! Hasta!

ps: sorry, as legendas do doc em espanhol estão em alemão… Mas acho que dá para acompanhar bastante.
ps2: a madre soltera cochilando me arrepia a alma…