Jantando com um traficante
Quase sempre os de fora se juntam e assim numa cozinha costa riquenha um cubano preparava comida vietnamita para los hambrientos da Argentina, Suiça e Brasil escutando música nicaraguense: nada mais cosmopolita! Enquanto garfávamos o cubano saboreava seu passado negro: “sou a favor de tudo que é ilegal”, sorria com malícia. Numa história cheia de detalhes e suspense nos contou do dia em que foi pego e algemado num galinheiro pela polícia cubana. Qual o crime? Tráfico. Tráfico de torrones… “Você tem que tratar o policial sem medo nem soberba, caso contrário se tornam sádicos”. Assim se livrou da prisão por comércio ilegal de alimentos. Em seus parentesis contava que comer carne de vaca sem autorização do Estado pode render até dez anos de cadeia e que 70% da economia está baseado na ilegalidade. Filho de fidelistas fiéis mesclava uma tristeza pelo que deixou de ser o país no pós URSS e um orgulho pela ilha da boa saúde e educação que boia no pobre Caribe. “Não queria ser de nenhuma parte, se não de Cuba!”, se infla escutando Buena Vista -“¡Oígame compay! No deje el camino por coger la vereda.”
