31 de Dezembro de 2008

chegada

nove horas de vôo e todos os nove meses de deslocamento voltaram. irmã, cunhado e pai sorrindo no saguão. parecia que nem fazia tanto tempo. não sei se pelo skype que toda semana nos colocava frente a frente; não sei se simplesmente porque quando se tem vínculos muito fortes pouco se nota o tanto. São Paulo branca, garoa, grande; as ruas com os nomes que já conhecia, a compreensão de toda e cada palavra inteira - relaxando. voltar para casa - mesmo que já não tão casa, mesmo que não querendo assim tanto - é de um conforto sem tamanho. á noite o samba chorado, o quadril rebolado, a cerveja de garrafa brindada, o garçon falando português e chamando pelo nome. como se tudo tivesse sido um sonho lindo e enorme: acordei e pronto.


16 de Novembro de 2008

Chorinhozinho

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Foi só fechar o olho. Flauta, pandeiro, violão. Quadril ziriguidum. Som para dentro. Tudo aquilo que já conhecia e ali tão novo. Dançava em outro lugar. Dançava em casa. Sabia onde cada um dos amigos intímos estaria. Quem pedia a saideira. Quem insistia para ficar. Os beijos no banheiro, escondidinhos, como quem rouba, sorri e sai no ritmo. Os flertes entre passadas. Os corpos que se encostam pedindo mais. Os olhos, cerveja na mão, cigarro na boca, desejo no corpo inteiro. Os pés que se atraem. Vestido azul. Vestido vermelho. Lu, cadê você Iemanjá? Seis cordas. Sete cordas. Cidão. Risos. Muitos. Uma voz que sobe mais com toda a alegria. Toda a tristeza. Tudo o que é voz. Estava tudo ali nos acordes. Nos quadris. Na saudade. O olho abria e Nova Iorque voltava. Vinho para a banda. Cigarro só lá fora. Casacos e botas. Mas era só o pandeiro chorar, chorinho, quadril, olho baixinho. Voltava: vendo dentro e atrás tudo era o que há muito tempo já não. Sonho. Dança. Samba. Casa. Tum.

Ps: depois de oito meses, um choro bem tocado na abertura de um festival de docs brasucas em Nova Iorque! Para ver a programação, siga o link!


31 de Outubro de 2008

Buaaaaaaaaaa

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Sim. Tpm é assim. Choro. Quem conhece sabe. Quem é mulher entende. Os homens sensíveis se divertem. Na verdade também acho um pouco engraçado tanta fragilidade. Tanta emoção. Tanto tanto. Tento não dar tanta importância, olhar como cena de um filme que só assisto. Com outra atriz. Os três últimos ápices de drama foram boas cenas. Ou pareceram. Lá vai:

Chororo 01: eu no metrô. Cabeça a mil pensando no documentário que gravarei em dezembro/janeiro. Sinapses. Feliz. Pensante. Olho meio para baixo, meio para janela negra com luzes que correm. Levanto o olho e lá esta ela. No banco em minha diagonal, minha mãe. Com 10 anos mais. Vejo minha mãe no futuro. Susto. Olho de novo. já não lembro do doc, da estação. Minha mãe me olha. Minha mãe depois me olha agora. Como só uma mãe poderia ela vê dentro dos meus olhinhos. Sorri e pisca um olho. “eu sei” disse sem dizer com uma piscadela. Como numa alucinação sóbria, um sonho acordada sorrio inteira para a mãe que não era. Mas que poderia ser. A emoção me invade. Lembro da saudade. Do tempo que anda. Do envelhecer. Da distância. Sem pensar com palavras abaixo o olho. Não suportaria mais olha-la. Choro. Rio.

Chororo 02: skype com a irmã mais maior de grande. Escolhendo vôo de volta. 27 de dezembro de 2008. 10h50 pm. definido. Minha irmã ri, “bem vinda”. “posso dar só uma choradinha?” pergunto sem pensar. Ela continua rindo. “Sim”. Choro. Sem saber se era de alegria de voltar e matar saudades, de tristeza de acabar a viagem. Do recomeço ou do fim. Como numa separação em que algo se acaba para o novo. mas é um fim. Um começo. Dá medo. Dá gosto. Dá dúvida. Tudo junto escorre.

Chororo 03: em cima da bicicleta. acabava de pagar a reserva do quarto aonde vou morar semana que vem. Conversei com suzi, uma artista de singapura realmente cool com quem viverei. Estava feliz. Bem feliz. Pedalava rápido nos oito graus. Sorria. Me deliciava com a música. Com o frio. Com o Brooklin. Com a vida. Até que um homem abre a porta de seu carro estacionado. Não vi. Não a tempo. Vôo por cima da bike. Bato o braço. Caio. Não sei se caio. Mas caio do sonho de meu videoclipe. O homem pede desculpa. Pergunta se está tudo bem. eu simplesmente não podia falar. Não em uma língua que não é a minha. Esta. Levanto a bicicleta. Sacudo o braço. Abaixo o olho. Pedalo. Páro na esquina e derreto.

Ok. Mês que vem tem mais.