22 de Julho de 2008

Prólogo (ou cara de gringa gringa é)

(liguei e a irmã me disse que amanhã e domingo estariam todas fora. que não era de prache mas como eu estava de passagem abriria uma exceção para me atender. era sexta feira fim do dia. acabava de cruzar a fronteira méxico guatemala. briguei na saída porque na entrada me informaram que os sei lá 20 dolares que pagaria seriam válidos para depois quando eu voltasse para o méxico. e na saída me pegaram o papel. usei todos os argumentos racionais que juro que faziam sentido. não existia racional só a lei professada por homens armados. Lei mal escrita que deixava o papel informando o contrário do que ela era. quando o inspetor disse para eu abaixar o tom baixei. mas continuei brigando… em tom baixo. quando disse que chamaria o tenente vi que aquilo só ia fazer com que eu me sentisse mais otária e eles mais poderosos. aqui somos nós que mandamos, não você. não era mesmo. saí sem humor. um triciclo me ofereceu de levar. tecun-uman_guatemala_31.JPG

Soube que ele estava cobrando a tarifa gringa estúpida mas aceitei para não começar outra briga. pedi um hotel seguro e ele me levou para uma espelunca de um tipo com uma cara pouco segura. vi o quarto com paredes sujas e cama nojenta. 160. agradeci e falei que não queria. cada passo que dava o preço baixava 10. saí e o cara do triciclo se ofereceu de me levar noutro, num bom. eu disse que até poderia pagar aquilo mas não gostava de como eles tinham colocado o dobro do preço de princípio só porque eu era gringa. saí um pouco irritada. subi. ele me disse que cobraria 30 em vez dos 20, sendo que o preço disso seria 5 (era a tarifa 400% para gringas apressadas que brigam na fronteira). agradeci e disse que iria a pé. falou não tudo bem, te deixo num bom aqui. espelunca de primeira. abriu um quarto com paredes ainda mais sujas – uma marca expressionista de uma mão na parede chamou a atenção, os cinco dedos ali - no fundo do estacionamento. 150. para mim é muito. temos de 75. sobe escadas decrépitas até um mais sujo, nojento. penso em mim escrevendo no meu mac-book-pro-2.2-duo-core-sei-lá-o-que naquele lugar. penso neu saindo dali e deixando meu equipamento no quarto seguro. saio. agradeço. até a porta do hotel o mesmo quarto foi oferecido por quarenta. agradeço e em baixo tom, até simpática fui, digo que era uma pena, se tivessem me falado este preço de início eu ficaria. respiro e lembro que quanto pior me coloco piores coisas atraio. está tudo bem. é só uma cidade de fronteira cheia de pessoas que fazem tráfico de gente e de drogas. em que a corrupção é a lei. já sabia disso antes de sair de casa. então pronto. pôr do sol lindo do lado direito da praça, no fim da rua. busco olhares com amor para pedir uma informação. uma mulher com olhos saltados de quem já viu tudo e pouco importa. não. um homem que não. respiro. ar dentro. ar fora. que bom que boa parte de minha bagagem está na cidade da guatemala. um olhar doce, achei! entro. era algo da paróquia. o homem de bom olhar, miguel, não sabe de hospedagem. mas a moça que ia saindo com sua barriga de nenem sabia. bem, só pode ser o don carlos. chego e havia até recepção com preço por escrito para que tarifa gringa e local sejam a mesma. um menino diz 175. y con descuento? uma mulher me olha e diz 160 é o mínimo. soube que tudo tem que ser barganhado na guatemala. e gosto dela. tem cara de uma mulher de verdade. subo. a porta abre e me revela o quarto mais lindo da viagem. claro que não é. mas agora é. deixo o mac bok pro e todo meu tesouro pessoal – minha produtora e passaporte – no quarto sem nóias. isso é que não tem preço. saio para buscar o contato das irmãs que trabalham com prostituição. o mesmo miguel me dá o número. compro um chip para meu celular. ligo. e é aqui que começa a história. mas o post ficou grande. o prólogo está feito. amanhã vem o que é.)




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