Intuição. Ou por um triz.
Mais do que misticismo ou qualquer coisa sobrenatural a tal da intuição me soa como algo materialissímo, o se admitir pouco frente ao muito que somos; algo assim. Se a metafísica diz que vemos só um sei lá que pouquinho da realidade sinto que o racional capta um tiquinho mas que na verdade a gente é muito mais esperto do que o que a gente acha que é. Foi com isso na caxola que decidida a tirar as fotos que me desse vontade andei com a câmera pendurada no pescoço em plena zona um da ciudad guatemala, no centrão da capital mais “oh ya” da América Central. O país viveu 36 anos de guerra civil e o acordo - formal - de paz só chegou em 1996. Foi assinado sobre 200 mil cadáveres, 80% deles indígenas num claro genocídio. As causas do conflito continuam latente na sociedade, a discriminação contra os mayas é cotidiana e todo dia uma média de 17 pessoas são assassinadas; ontem foram “só” onze sendo quatro mulheres.
Ok, está é a próxima matéria da Fórum. Um pouco informada e um pouco crente liguei a anteninha do “respeito o que não entendo” e busquei sinais disto pelas ruas para as fotos. Guardei a câmera e entrei no ônibus. Não senti confiança no homem no banco de trás e fiquei quietinha observando a mulher maya e seu reflexo no vidro. O tal cara desceu e eu saquei a câmera e disparei algumas. Imediatamente uma mulher veio: “hablas español?” e me falou para guardar a câmera “ya”. Respondi que corria o risco de perder a câmera ou de perder o emprego. Agradeci bastante. Guardei. Vi que ainda não tinha conseguido dar o clique no momento X. Tirei a câmera e continuei. Coloquei ela escondidinha no colo e aí veio um vulto estranho pela porta de trás. Sem pensar, no impulso, naquele não sei o que sei, guardei discretamente a camêra. O vulto ficou atrás da porta. Outro que também subiu pela porta de descer sentou do meu lado. Poucos minutos e este cara levanta atravessado, eu até pedi “perdón” sei lá por que e ele começou a assaltar o cara atrás de mim que tinha fones de celular no ouvido. Olhei para tentar entender o que rolava, voltei serenamente a cabeça para a frente e já fui me despedindo da câmera, pensando quais fotos ficariam perdidas no cartão e agradecendo por ter dado meu rim para pagar o seguro do equipamento. E foi então que os dois…. desceram. Fiquei lá com a câmera, um sorriso de “como assim? Quanta sorte no azar” e um milhão de obrigada obrigada obrigada para a mulher “quem avisa amigo é”. Ufa!
Ps: subo a noitinha a foto tirada – não ficou ainda como devia, mas… achei melhor depois de tudo desencanar da imagem… re

12 de Agosto de 2008
Uiah!
Eu acho que jornalista devia ter um câmera boa e outra mais chinfrim para andar por esses lugares mais inseguros…
Ainda bem que dá boas vindas à intuição…
12 de Agosto de 2008
Eu não tenho esse autocontrole, teria berrado, pulado, chorado, ou seja, colocado todo mundo em risco.
Força por aí.
13 de Agosto de 2008
perde a câmera não, nega!… hahahaha!
cuidate!
beeeijo!
13 de Agosto de 2008
Bom amiga, eu tenho uma explicação para o acontecimento que talvez vc não acredite tanto ;)! Amém!
Love You!
14 de Agosto de 2008
[…] participação em slow motion. Entrei num táxi sem bem entender que tinha sido roubada finalmente (lembra que há dois dias foi por um triz? Agora foi, mas estava com minha câmera na mochila e continuei com ela lá… tudo lindo! E estas […]