Hoje é dia de Guatemala na GNT!
No dia que pisei na Guatemala senti que a viagem mudava de rumo. Quando entrei no primeiro “chicken bus” nacional meus olhos foram devorados por cores de roupas mayas, umas línguas totalmente incompreensíveis, risadas altas e lentas e uma sensação de que aqui o papo é outro: meu sangue latino americano não tem nada a ver com este outro país. A sensação de que compreendia a cultura e sei lá o quê que me ligou aos outros países centro americanos até agora, por ter um passado colonial e político mais ou menos parecido, desapareceu nos primeiros minutos de Guatemala.
Encantada com este diferente propus a pauta da beleza maya para o Saia Justa. Comecei a andar pelas ruas buscando rostinhos bonitos e um padrão meu de beleza para fazer a matéria. Andei por paisagens deslumbrantes (como Antigua, uma cidade colonial linda e o Lago Atitlán, cercado por três vulcões) e simplesmente não encontrava minhas modelitas. E foi então que me caiu a ficha: se queria entender o padrão de beleza de outra cultura não podia aplicar o meu brasuca/europeu/norte americano para começar o papo. Nó na cabeça…
As mayas guatemaltecas, via de regra, são da classe baixa afinal até 1944 a Constituição garantia o trabalho “grátis” prestado por indígenas mayas aos fazendeiros do café e prefeituras. Até hoje o preconceito caminha pelas ruas e para ingressar em classes econômicas mais altas normalmente é necessário deixar de ser, ou deixar de parecer “índio”. Logo as personagens não seriam mulheres classe média como foram todas as entrevistadas para o quadro Saia por Aí até agora. Vencida a barreira de número um comecei a entrevistar mulheres coloridas em diferentes vilas para registrar trajes de povoados diferentes. O falar lento de quem tem o espanhol como segunda língua temperou suas respostas e aí veio minha segunda surpresa: não há roupa especial, há roupa nova. Mas cada dia é vivido de alguma forma especialmente e o mais sensacional de se produzir para uma festa é se sentir parte de sua comunidade, é estar vestida como todos. Uau! Saí da matéria com uma sensação de quem sai de outro mundo. Com a sensação boa de que apesar das dificuldades e de todo o colonialismo imposto outras culturas colorem, lutam e sobrevivem em nosso continente.
ps: texto e clipe feitos para o Ora Blog!

14 de Agosto de 2008
Eliza,
Não serão as guatemaltecas de origem indígena tratadas como as afro-brasileiras? Do jeito que vc explicou me fez pensar em como os negros brasileiros querem a todo custo esconder suas origens para pertencerem a uma classe mais alta q a sua. Seja com escovas progressivas (comprovadamente perigosas) seja com esse costume de chamar negra de morena e por ai vai.
Chamo a tua atenção pq, muitas vezes,não notamos essa herança da escravidão em nosso país. Achamos normal a maioria das mulheres serem loiras de cabelo liso.Percebe?
14 de Agosto de 2008
Pelo o que eu entendi as guatemaltecas indígenas são originais sem tentar imitar mulheres com fenótipo não-indígena, é isso?
14 de Agosto de 2008
ana, o negócio aqui é diferente… é como se os tupis andassem nas cidades com suas roupas tradicionais e falassem tupi no ônibus e na rua, sabe? é muito diferente; tudo bem que a roupa que usam, pelo que entendi, é conseqüência da chegada dos espanhóis que jogou eles para as montanhas e com isso as tanguinhas e roupas menorzitas viraram estas roupas grandes e pesadas. mas é outra onda. acho que a comparação com os afro brasileiros é válida no que diz respeito ao preconceito: sim, somos todos países latino americanos cabeça de colonizado, onde o padrão europeu é o que vale e para entrar no jogo é preciso engolir a roupa típica, o cabelo sarará e esquecer a língua (os indígenas do nordeste brasileiro perderam completamente suas línguas neste processo, né?). Felizmente sinto que no Brasil algo começa a mudar, um certo orgulho de nossas raízes, de nosso samba, gingado… algo assim. Aqui hoje já se aceita constitucionalmente eles como iguais; embora ainda haja trabalho forçado (como no brasil…) se pensarmos que há 50 anos os mayas eram tratados como escravos pela lei, já é um avanço… mas falta…
13 de Março de 2009
Hi! RlNPPoR
12 de Agosto de 2009
entrei no site so para fazer um trabalho de ecola agora…