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	<title>América sem fronteiras</title>
	<link>http://americasemfronteiras.com.br</link>
	<description>Muigração, arte e viagem nas Américas</description>
	<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 22:19:37 +0000</pubDate>
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		<title>Minha primeira vez</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 22:19:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>america</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Curiosidades e afins]]></category>

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		<description><![CDATA[ Ou Vixi, num é que foi.
Ou Inverno em Nova Iorque 

Nem oito da manhã o telefone tocou. Ou é desgraça ou é matéria com problema pensei estendendo o braço para além do colchão. Do outro lado a prima grita: “tá nevaaannndo!!!!” Todos os dias eu perguntava: “prima, hoje vai nevar?” E enfim chegou. Neve. Saí [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> Ou Vixi, num é que foi.</strong></p>
<p><strong>Ou Inverno em Nova Iorque </strong></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/elizacapai/sets/72157604500031848/" title="inverno-no-panama.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/inverno-no-panama.jpg" alt="inverno-no-panama.jpg" height="345" width="482" /></a></p>
<p>Nem oito da manhã o telefone tocou. Ou é desgraça ou é matéria com problema pensei estendendo o braço para além do colchão. Do outro lado a prima grita: “tá nevaaannndo!!!!” Todos os dias eu perguntava: “prima, hoje vai nevar?” E enfim chegou. Neve. Saí catando os mini mini mini floquinhos - nunca tinha visto com as mãos. Achei até que era mentira. E aí vou arriscar algo que anda bem perto daquelas teorias racistas horrorosas de sei lá que século de que os povos dos trópicos são preguiçosos; mas que não tem nada a ver com elas na verdade. Amigos tropicais, vejam se faz algum sentidinho….</p>
<p>A gente cresce meio sem tempo. Verão é quente. Aí depois vem o outono. As folhas verdes continuam verdiiinhas. E aí chega o inverno. Faz umas duas semanas de frio em algum momento, e tirando aquela semana fria estranha que fez no verão, são os dias mais frios do ano. Em Vitória fazia até 20 graus! “Nossa, que frio….” Repetia a irmã com vários casacos. Nublava e todo mundo exibia os moletons nos 30 graus. E aí chega a primavera. As flores que já estavam lindas pode ser que abram mais. Pode ser que continuem abertas. Pode ser que esperem o verão para o desabrochar final. As coisas parecem não ter consequência. Vão indo, são, voltam, vão, é, pode ser, já era, foi é ui. Tudo assim. E aí a gente é assim. Ginga, capoeira, sambinha, chopinho, cafezinho, diz que não falando que sim, fala sim pensando em não. Consegue dar um jeitinho. Entende um pouco as besteiras de um e de outro, aceita ou não aceita. Vai indo. Toca aqui! Às vezes pensa o que vai querer, às vezes não. E embora eu me sinta com foco na vida me vejo neste ziguazaguear. Nem bom nem mau. Bom e mau. Assim. Coisa de quem cresceu de mini saia em julho e janeiro, com inflação de 225%. Ganha hoje e compra logo porque amanhã vai saber. A mãe recebia a cada três meses os salários atrasados do Estado. Mas sábado todo mundo tava na praia com sanduichinho, tem jeito não, faz mal não. Vamo que vamo.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/elizacapai/sets/72157603821316121/" title="inverno-na-amzonia.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/inverno-na-amzonia.jpg" alt="inverno-na-amzonia.jpg" height="345" width="482" /></a></p>
<p>Aí cheguei no outono em Nova Iorque. Me disseram que as folhas iam amarelar, avermelhar, cair. Galho seco, esfriava. Neve. Pensei sem contar para ninguém: “duvido!” Simplesmente não conseguia-consigo entender com o corpo inteiro que é assim. Uma coisa é conseqüências da outra que é da outra que é da outra. Ação. Reação. Sem misticismos. Nada de horóscopo, sem papo de energias cósmicas e tudo fluiu para isto, porque sabe como é… pô, maior astral. Nada de ficar falando mexendo a mão, tocando no ombro do cara na frente. Dar tapinha na bunda de um mais ou menos amigo? Nem pensar. Aí quase fico com agonia – o quase é para ser <em>polite</em> – quando vejo as pessoas os corpos retos, rígidos, sem encostar, sem tocar. “Eu te amo” disse o cara para a mina no filme e eles se abraçaram apaixonados igual duas madeiras… E só. Nem um selinho… Assim. Mas elas sabem que uma coisa vem, depois outra e em conseqüência mais uma. A folha cai, neva. A cada 7 minutos passa o metro da linha R. Ordem social. Ordem das estações. Movimentos contidos. Boca fala. Corpo quieto. Folha cai. Nevou! Sei lá. Um texto assim meio estações brasileiras.<br />
<a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/inverno-na-amzonia.jpg" title="inverno-na-amzonia.jpg"><br />
</a></p>
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		<title>Chorinhozinho</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Nov 2008 19:19:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>america</dc:creator>
		
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Foi só fechar o olho. Flauta, pandeiro, violão. Quadril ziriguidum. Som para dentro. Tudo aquilo que já conhecia e ali tão novo. Dançava em outro lugar. Dançava em casa. Sabia onde cada um dos amigos intímos estaria. Quem pedia a saideira. Quem insistia para ficar. Os beijos no banheiro, escondidinhos, como quem rouba, sorri e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/cerveja2.jpg" title="cerveja2.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/cerveja2.jpg" alt="cerveja2.jpg" /></a></p>
<p>Foi só fechar o olho. Flauta, pandeiro, violão. Quadril ziriguidum. Som para dentro. Tudo aquilo que já conhecia e ali tão novo. Dançava em outro lugar. Dançava em casa. Sabia onde cada um dos amigos intímos estaria. Quem pedia a saideira. Quem insistia para ficar. Os beijos no banheiro, escondidinhos, como quem rouba, sorri e sai no ritmo. Os flertes entre passadas. Os corpos que se encostam pedindo mais. Os olhos, cerveja na mão, cigarro na boca, desejo no corpo inteiro. Os pés que se atraem. Vestido azul. Vestido vermelho. Lu, cadê você Iemanjá? Seis cordas. Sete cordas. Cidão. Risos. Muitos. Uma voz que sobe mais com toda a alegria. Toda a tristeza. Tudo o que é voz. Estava tudo ali nos acordes. Nos quadris. Na saudade. O olho abria e Nova Iorque voltava. Vinho para a banda. Cigarro só lá fora. Casacos e botas. Mas era só o pandeiro chorar, chorinho, quadril, olho baixinho. Voltava: vendo dentro e atrás tudo era o que há muito tempo já não. Sonho. Dança. Samba. Casa. Tum.</p>
<p>Ps: depois de oito meses, um choro bem tocado na abertura de um festival de docs brasucas em Nova Iorque! Para ver a programação, siga o <a href="http://nyu.edu/kjc/documentabrazil" target="_blank">link!</a></p>
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		<title>Depois de Obama, Giorgina!</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2008 22:07:25 +0000</pubDate>
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Gente lembra aquele vídeo de mãe e filho, Costa Rica Nicarágua, que desfilou por aqui pelo América Sem Fronteiras há um tempo? Pois é, ele está num concurso online! A rádio Canadá numa admirável iniciativa criou um festival de vídeos e podcasts sobre migração, não é o máximo?
Os cinco vídeos melhor votados até o dia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/p09_israel01.JPG" title="p09_israel01.JPG"></a></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.rciviva.ca/rci/migrations/flash.asp?lg=en&amp;id_concours=8" target="_blank"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/p09_israel01.JPG" alt="p09_israel01.JPG" /></a></p>
<p>Gente lembra aquele vídeo de mãe e filho, Costa Rica Nicarágua, que desfilou por aqui pelo América Sem Fronteiras há um tempo? Pois é, ele está num concurso online! A rádio Canadá numa admirável iniciativa criou um festival de vídeos e podcasts sobre migração, não é o máximo?</p>
<p>Os cinco vídeos melhor votados até o dia 12 vão para a semi final! A Giorgina parece ir bem! Mas cantar vitória antes dá azar: então ajudem eu, ela e Israel a passarmos para a semi final! <a href="http://www.rciviva.ca/rci/migrations/flash.asp?lg=en&amp;id_concours=8" target="_blank">Clique aqui</a> e depois divulguem o <a href="http://www.rciviva.ca/rci/migrations/flash.asp?lg=en&amp;id_concours=8">link</a>, coloquem muitas estrelinhas no <em>rate</em> e façam figuinhas! Espero em uma semana chamá-los para a próxima etapa!  Para o alto e avante! Vamos juntos?</p>
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		<title>Fronteira de cima</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2008 01:43:27 +0000</pubDate>
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Sempre tive um medo de tanto viajar, de estar longe: Perder a linha de quem fica, a rotina, perder. Penso sempre na vó do lado de lá, nos pais, nas irmãs, nos amigos. Quando penso que posso estar longe e não vê-los partir para a fronteira de cima, bem acima de todas estas que cruzo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/luto.jpg" title="luto.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/luto.jpg" alt="luto.jpg" /></a></p>
<p>Sempre tive um medo de tanto viajar, de estar longe: Perder a linha de quem fica, a rotina, perder. Penso sempre na vó do lado de lá, nos pais, nas irmãs, nos amigos. Quando penso que posso estar longe e não vê-los partir para a fronteira de cima, bem acima de todas estas que cruzo com meus passos, me paraliso. No começo desta viagem a mãe de minha melhor amiga, a mãe que me recebeu em seus braços e sua casa quando migrei para São Paulo passou para a dimensão do ar. Já era esperado, tristemente esperado. Estava na Costa Rica, numa praia linda, e passei o dia andando, vendo água, respirando. Mandando meu amor, minha gratidão para tia Lia, como numa oração.</p>
<p>Agora no ônibus, voltando da casa de um tio amado em DC para Nova Iorque recebo uma ligação brasileira. Notícia ruim chega rápido, já sei. A voz da irmã tenta não dizer mas por fim conta do outro tio, lá de baixo do mapa, Vila Velha: Indo comprar camarão para sua pescaria teve um tu tum e parou o peito.</p>
<p>Tio Allemand, o grande pescador piadista que alegrava as tardes de Iriri: espero que os camarões cheguem fresquinhos no céu e que a pescaria seja boa. Que os peixes sejam grandes e macios e que não falte cerveja gelada.</p>
<p>Abraço aqui de longe com muita saudade e muito amor minha prima Lubi - irmã dos verões adolescentes, meu sobrinho Gui, tia Maria Lucia, vó Maria, primo Fábio. Muito amor e muita paz. E um brinde ao lindo e querido tio por sua passagem gargalhante pela terra. Amém.</p>
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		<title>oba! oba! oba!</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 06:16:59 +0000</pubDate>
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Bem, estava aqui em cima mas meio no lugar errado. Vim para Washington, a casa do poder todo assistir ao dia do novo presidente&#8230; e só tarde demais entendi que aqui não era o lugar mais animado para as eleições - de novo vim para Cosme Damião achando que era Carnaval. Mas pouco importa. Chorei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/obama.jpg" title="obama.jpg"></a></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/obama.jpg" title="obama.jpg"></a></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/obama.jpg" title="obama.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/obama.jpg" alt="obama.jpg" height="197" width="494" /></a></p>
<p>Bem, estava aqui em cima mas meio no lugar errado. Vim para Washington, a casa do poder todo assistir ao dia do novo presidente&#8230; e só tarde demais entendi que aqui não era o lugar mais animado para as eleições - de novo vim para Cosme Damião achando que era Carnaval. Mas pouco importa. Chorei de alegria vendo TV mesmo. Todos os amigos em Nova Iorque ligaram ou escreveram convidando para festas e o clima era de mudança, <em>hope</em>, alegria. Que delícia! Me lembrou o dia que o Lula ganhou da primeira vez; a Avenida Paulista recheada de crianças, de paulistanos, de nordestinos, de gente, de sorrisos. Lindo! Meu corpo sorridente recordou de outro dia encantado - a posse de Tabaré Vazquez no Uruguai, o primeiro presidente de esquerda de nosso <em>hermanito</em>: este vídeo gravei neste tal dia!</p>
<p><object width="425" height="344">
<param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/HrM0dsJSjaA&#038;hl=en&#038;fs=1"></param>
<param name="allowFullScreen" value="true"></param>
<param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/HrM0dsJSjaA&#038;hl=en&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Se as mudanças serão grandes, de base? não acredito. O jogo é grande e não acho que presidente algum tenha tanto poder assim; nem se quer realmente mudar a estrutura das coisas. Mas ganhou a esperança sobre o terror! Na casa do terror! E só isso já vale tudo! Que vivam os sonhos! A fé de que sim, o mundo pode ser melhor!  Assim como um nordestino é presidente do Brasil, um índio da Bolivia, um preto agora comanda o país famoso pela segregação racial. Os que eram minoria agora passeiam pelos tronos desmentindo as proibições, os impossíveis, os discursos de que &#8220;o mundo é essa merda e pronto, nem tenta que não dá&#8221;.</p>
<p>Que Obama presidente traga aquele gosto que provamos em nossa América Latina há pouco. Mas que a falta de mudanças imediatas, de salvadores da pátria nos tirou o sonho da mudança. Não dá para em quatro ou oito anos mudar o rumo da história torta de cinco séculos. Mas estamos indo bem - vai, não precisa de muito para notar nosso país e nosso continente florescendo. Falta muito? Falta&#8230; Mas temos melhores taxas de emprego, de educação, de divisão de renda, de saúde que quando o nosso Obama chegou em Brasília. Cheia de cicatrizes a América Central finaliza suas guerras civis e entra em anos de paz. A Bolívia com todos os tropeços e dificuldades de dentro e de fora nacionaliza o que é do povo&#8230;. e assim segue, seguimos! Que o sonho que nasce no norte ilumine a todos do sul, leste, oeste! Que nos abracemos de novo com nossos otimismos! Que o medo vá! e que cada um e todos possamos ir lutando pelo que tem que ser! Melhor! Mais! Amém!</p>
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		<title>ziriguidum x trick or truck</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Nov 2008 06:44:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>america</dc:creator>
		
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ou a guerra entre as bruxas e os palhaços.
ou prefiro abóbora ou carne?
Era dia de parade. Haviam me contado que o tal halloween numa rua do Village, NYC, era uma coisa cool tipo bloquinho de carnaval no Rio. Me animei vendo as fantasias geniais (a monalisa não é um escândalo?) e depois de gravar a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/halloween-1.jpg" title="halloween-1.jpg"></a></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/halloween-1.jpg" title="halloween-1.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/halloween-1.jpg" alt="halloween-1.jpg" height="228" width="473" /></a></p>
<p><strong>ou a guerra entre as bruxas e os palhaços.</strong></p>
<p><strong>ou prefiro abóbora ou carne?</strong></p>
<p>Era dia de <em>parade</em>. Haviam me contado que o tal halloween numa rua do Village, NYC, era uma coisa <em>cool</em> tipo bloquinho de carnaval no Rio. Me animei vendo as fantasias geniais (a monalisa não é um escândalo?) e depois de gravar a matéria do Saia Justa – deliciosa! no ar dia 12 de novembro! – saí toda sorridente: “cadê a batucada?” pensavam meus quadris cariocas. Aí me assalta a incompreensão do diferente. Já sei, viajar e tentar entender outra cultura é se chocar, amaciar, tentar ver de novo, colocar a lente do olho do outro e assim neste esforço antropológico, humano, sei lá o que, ver o que talvez seja ou podia ser. Mas ali não rolou de entender.</p>
<p>A rua onde passa o tal bloquinho é cercada por grades e mais grades e por um esquema policial. Dentro desfilam algumas pessoas que igual as de fora se fantasiaram. Não é um carnaval de Salvador em que se cobra para estar dentro da corda. Nem um do Rio que tem a proteção da bateria e que as colombinas vão se deliciando caminhando lado a lado ou esperando lá na esquina o ziriguidum. Aqui pela ordem cívica, pela segurança, proteção contra o terror se proibe uns e outros de estarem juntos. Porque é perigoso. Lembrei da frase de um amigo, que talvez nem seja dele, mas que é excelente: “a liberdade e a segurança são inversamente proporcionais”. E meu olhos brasucas tinham a sensação de que as pessoas estavam mais preocupadas em exibir suas fantasias que de fato curtirem, uhu! E aqui com a cabeça aí fiquei pensando em quão diferente são as nossas culturas.</p>
<p><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/halloween-3.jpg" title="halloween-3.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/halloween-3.jpg" alt="halloween-3.jpg" align="left" height="185" width="323" /></a>Uma se caracteriza por uma festa de bruxas, onde se pede doces ou se ameaça travessuras; que quer mais exibir a fantasia que se alegrar por ser este outro, em que a graça é apavorar, assustar, buh! Outra tem como festa nacional a festa de dionísio, da carne, da inversão; onde o excesso – de dança, de suor, de sexo, de alcool – guia os corpos á exaustão da alegria; em que se sorri em se viver este outro, em não ser-se, em ser-se um pouco mais. A interpretação primeira disto seria de que – oh sabiás! – um é o país liberado, alegre, do sorriso, do prazer. Outro puritano, frio, das aparencias. Pode ser. Acho até que pode ser mesmo. Mas se vamos mais um pouco nos reflexos (ovo ou galinha?) um é o país em que as regras funcionam, as leis funcionam e tantas coisas funcionam e por isto é um primeiro mundo, um sonho para quem está fora. O outro é o do jeitinho daqui e dali, das cidades mal estruturadas, não arquitetadas, poluídas, traficadas.</p>
<p><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/carnaval-no-rio.jpg" title="carnaval-no-rio.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/11/carnaval-no-rio.jpg" alt="carnaval-no-rio.jpg" align="right" height="386" width="268" /></a>Sei lá onde vai este post. Comparar países, (pré) julgá-los por pedaços de seu todo não me parece nada coerente. Até porque o que faço aqui é superficial, papo de botequim com mé. Mas ali, trancada para fora da alegria, sem poder chegar na entrada nem convencer o policial de entrar pela lateral (claro que meu ladinho brasileira tentou…), sem ouvir nenhum ziriguidum, reco reco, tum tum esqueci toda a admiração por Nova Iorque que sinto. Detestei a organização, o metro que funciona, a beleza arquitetônica, o tudo certo, all right!… E desejei com meus dois pés, cintura, cadeira, com toda a minha disritmia o caos, a barbárie, a confusão, o vai indo que chega, tum tum tum, quanto riso, oh! quanta alegria! ziriguidum loló cerveja na rua (já imaginou carnaval sem cerveja na rua? pois é. aqui é), fantasia de pano de beijo de suor de ai de ui. de a, é i o u y. Ok, dia 21 de fevereiro Rio!</p>
<p>Ps: depois do ziriguidum, no trânsito carioca - no táxi parado entre carros manobrando pessimamente - provavelmente desejarei o metro nova iorquino para voltar para casa… assim somos.</p>
<p>Ps2: esta foto última é do último carnaval meu. Ria!</p>
<p>Ps3: qual a lembrança de incompreensão – pré-conceituosa que seja – que você já sentiu fora, longe, lá?</p>
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		<title>Buaaaaaaaaaa</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2008 03:22:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>america</dc:creator>
		
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Sim. Tpm é assim. Choro. Quem conhece sabe. Quem é mulher entende. Os homens sensíveis se divertem. Na verdade também acho um pouco engraçado tanta fragilidade. Tanta emoção. Tanto tanto. Tento não dar tanta importância, olhar como cena de um filme que só assisto. Com outra atriz. Os três últimos ápices de drama foram boas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/bua.jpg" title="bua.jpg"></a></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/bua.jpg" title="bua.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/bua.jpg" alt="bua.jpg" height="360" width="480" /></a></p>
<p>Sim. Tpm é assim. Choro. Quem conhece sabe. Quem é mulher entende. Os homens sensíveis se divertem. Na verdade também acho um pouco engraçado tanta fragilidade. Tanta emoção. Tanto tanto. Tento não dar tanta importância, olhar como cena de um filme que só assisto. Com outra atriz. Os três últimos ápices de drama foram boas cenas. Ou pareceram. Lá vai:</p>
<p>Chororo 01: eu no metrô. Cabeça a mil pensando no documentário que gravarei em dezembro/janeiro. Sinapses. Feliz. Pensante. Olho meio para baixo, meio para janela negra com luzes que correm. Levanto o olho e lá esta ela. No banco em minha diagonal, minha mãe. Com 10 anos mais. Vejo minha mãe no futuro. Susto. Olho de novo. já não lembro do doc, da estação. Minha mãe me olha. Minha mãe depois me olha agora. Como só uma mãe poderia ela vê dentro dos meus olhinhos. Sorri e pisca um olho. “eu sei” disse sem dizer com uma piscadela. Como numa alucinação sóbria, um sonho acordada sorrio inteira para a mãe que não era. Mas que poderia ser. A emoção me invade. Lembro da saudade. Do tempo que anda. Do envelhecer. Da distância. Sem pensar com palavras abaixo o olho. Não suportaria mais olha-la. Choro. Rio.</p>
<p>Chororo 02: skype com a irmã mais maior de grande. Escolhendo vôo de volta. 27 de dezembro de 2008. 10h50 pm. definido. Minha irmã ri, “bem vinda”. “posso dar só uma choradinha?” pergunto sem pensar. Ela continua rindo. “Sim”. Choro. Sem saber se era de alegria de voltar e matar saudades, de tristeza de acabar a viagem. Do recomeço ou do fim. Como numa separação em que algo se acaba para o novo. mas é um fim. Um começo. Dá medo. Dá gosto. Dá dúvida. Tudo junto escorre.</p>
<p>Chororo 03: em cima da bicicleta. acabava de pagar a reserva do quarto aonde vou morar semana que vem. Conversei com suzi, uma artista de singapura realmente cool com quem viverei. Estava feliz. Bem feliz. Pedalava rápido nos oito graus. Sorria. Me deliciava com a música. Com o frio. Com o Brooklin. Com a vida. Até que um homem abre a porta de seu carro estacionado. Não vi. Não a tempo. Vôo por cima da bike. Bato o braço. Caio. Não sei se caio. Mas caio do sonho de meu videoclipe. O homem pede desculpa. Pergunta se está tudo bem. eu simplesmente não podia falar. Não em uma língua que não é a minha. Esta. Levanto a bicicleta. Sacudo o braço. Abaixo o olho. Pedalo. Páro na esquina e derreto.</p>
<p>Ok. Mês que vem tem mais.</p>
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		<title>sonho de uma noite de outono</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Oct 2008 01:31:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>america</dc:creator>
		
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Tive aqueles sonhos que juntam tudo junto. Na vida acordada me preparava para conhecer um quarto para alugar. Havia ficado chocada com a publicidade pró-guerra nas ruas da cidade, na sala de cinema. Havia recomeçado a ler História da Sexualidade. Liquidificador. Aí sonho que falo em português familiar com uma mulher que aluga quarto. Uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/guerra-02.jpg" title="guerra-02.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/guerra-02.jpg" alt="guerra-02.jpg" height="458" width="489" /></a></p>
<p>Tive aqueles sonhos que juntam tudo junto. Na vida acordada me preparava para conhecer um quarto para alugar. Havia ficado chocada com a publicidade pró-guerra nas ruas da cidade, na sala de cinema. Havia recomeçado a ler História da Sexualidade. Liquidificador. Aí sonho que falo em português familiar com uma mulher que aluga quarto. Uma casa circular, meio torre, meio o panóptico de Foucalt. Na casa um dos quartos era ligado ao banheiro por uma ponte levadiça. A ponte tinha caído uma vez e a menina quase morrido, me contou meio rindo a mulher simpática mostrando a corda branca arrebentada. Eu ficava imaginando o que significa morar numa casa com banheiro suspenso externo num lugar que neva. A casa era toda branca muito branca. Coisa de sonho mesmo. Aí eu pedia desculpa se ela não fosse me entender. Falava, sentada na mesa branca e quadrada da cozinha branca, que achava que um menino que topa ir para o exército, sabendo que provavelmente matará civis inocentes para poder melhorar sua própria vida, ter direito a seguro de saúde e universidade… que isso não era justo não. Egoísta mesmo. Que é o mesmo que o menino da favela que topa ir para a guerra do tráfico sabendo que vai matar civil inocente. Mas que a diferença é que o governo democrático, que assim se diz,  democrático, coloca outdoors promovendo um. E toda a sociedade condena o outro. <a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/guerra-01.jpg" title="guerra-01.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/guerra-01.jpg" alt="guerra-01.jpg" align="right" height="306" width="326" /></a>Que aquilo tava tudo errado. Mas mais errado que tudo foi quando em bom e alto som tocou o despertador. Acordei sem sair do lugar. Com as mesmas questões. Sem os comentários da proprietária, o meu outro eu que tem a casa e ri da escada que cai enquanto este eu se choca. A dona da cabeça toda. Tentei os cinco minutinhos extras de soneca para ver se ela eu me respondia a solução das guerras do mundo. Do panóptico. Dos banheiros. Mas ela não voltou. Já foi.</p>
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		<title>sem veias abertas na américa latina</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 15:51:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>america</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cronicas de Migrantes]]></category>

		<category><![CDATA[Cultura e Artes]]></category>

		<category><![CDATA[Curiosidades e afins]]></category>

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quem começa a se interessar por américa latina inevitavelmente tropeçará nas veias abertas de galeano. o uruguaio acaba de lançar um outro livro - &#8220;Espejos. Una historia casi universal&#8221; - que em tom de crônica ficcionaliza a história de nosso continente. não li ainda mas este videozinho que posto aqui me deixa com água na [...]]]></description>
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<param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/MTXR74rFASU&#038;hl=en&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>quem começa a se interessar por américa latina inevitavelmente tropeçará nas veias abertas de galeano. o uruguaio acaba de lançar um outro livro - &#8220;Espejos. Una historia casi universal&#8221; - que em tom de crônica ficcionaliza a história de nosso continente. não li ainda mas este videozinho que posto aqui me deixa com água na boca. a idéia inicial é simplesmente aplicar as atuais políticas migratórias para os &#8220;descobridores&#8221; de nossa américa. como seríamos nós - ou como não seríamos nós - partindo apenas deste outro - não - começo?</p>
<p>bem, daí seguimos facilmente em nossas cabeças para o que estamos deixando de ser ou sendo por conta de tantas restrições de livre deslocamento.</p>
<p>acho que o espanhol pausado de galeano pode ser compreensível para quem <em>no habla el castellano</em>. se não for me avisem que com muito gosto faço uma tradução rápida das frases de eduardo. boa viagem!</p>
<p>ps: quem quiser mergulhar, aqui vai a versão digital do clássico <a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/las_venas_abiertas_de_a.pdf" title="las_venas_abiertas_de_a.pdf">las_venas_abiertas_de_américa latina<br />
</a></p>
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		<title>Mudar o mundo agora?</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Oct 2008 14:24:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>america</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Curiosidades e afins]]></category>

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		<description><![CDATA[ou: sem cegueira

Voltei para o encontro com os meus velhos amigos, filhos de Saramago. Como da outra vez, de tpm, já havia chorado a cota de duas sessões achei que podia convidar alguém para ajudar a pensar depois. Aí saí da sessão com um menino bacana: destes que lê muito, pensa muito, sensível, didático (tanãnãnã) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>ou: sem cegueira</strong></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/blindness-3.jpg" title="blindness-3.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/blindness-3.jpg" alt="blindness-3.jpg" height="324" width="466" /></a></p>
<p>Voltei para o encontro com os meus velhos amigos, filhos de Saramago. Como da outra vez, de tpm, já havia chorado a cota de duas sessões achei que podia convidar alguém para ajudar a pensar depois. Aí saí da sessão com um menino bacana: destes que lê muito, pensa muito, sensível, didático (tanãnãnã) e cheguei a algumas conclusões bagunçadas em duas cervejas (long neck = 7 dólares = 15 reais; beba com moderação!). Jogarei-as caoticamente aqui: acompanham?</p>
<p>Bem, o filme trata de uma cegueira do branco. Não da falta de coisas, do preto, da luz zero e sim do excesso. Excesso de luz, de idéias, de informação. E juntando tudo e não processando nada chegamos no não ver. Como estamos no geral, fora da sala de cinema. Na viagem toda centro americana, com as migrantes que encontrava, a angustia que sentia era de vê-las indo. Cegas pelo desespero de não conseguir mudar suas desgraças dentro de suas próprias vidas, no próprio país. Sem conseguir ver solução ali iam, tropeçando, pensando que simplesmente seus olhos iriam voltar a funcionar lá – longe.</p>
<p>Bem, aí Saramago + Meirelles destroem tudo que já existia – o Estado, a organização social, a propriedade - e criam um mundo novo – o hospital onde chega a comida, há água, há cama; onde cada um tem pouco bem pouco mas o mesmo que todos. Aí se tenta primeiro uma organização no modelo governamental: representantes por cada quarto/ala. Fracassa quando o gatinho do Gael – que está um asco no filme – se declara “the king”. Vem o despotismo. A guerra. O que também existe no mundo de fora, igual. Com a polvora se destrói a igualdade, o básico, a comida. Depois em troca do comer se saqueia a propriedade, se começa a mais valia; se acumulam coisas que ali, na verdade, nem sentido fazem – de que adianta um relógio lá sem pilha? Ouro e prata? Mas tente olhar o nosso mundo de fora – como um ET que acabou de pousar – e tente entender o valor de jóias, milhões no banco, x. Toda a história da humanidade se repete ali no micro-cosmos.</p>
<p><a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/blindness1.jpg" title="blindness1.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/blindness1.jpg" alt="blindness1.jpg" align="left" height="227" width="315" /></a>Oquei, propriedade assegurada, vem a seguinte moeda: mulher! O macho domina o corpo mais fraco; invade; penetra; suga; mata. Para mim esta é a cena mais blergh! – nela chorei de novo, confesso – porque lembrava dos tantos casos escutados das migrantes que quando chegam num ponto caótico da viagem - já sem grana ou sem poder - para ganhar comida ou hospedagem o preço era exatamente o mesmo: “me dê sua mulher que eu te dou a ração”. Exatamente o mesmo. Igual. Blergh! Mas aí no filme a incrível frase do médico deixa claro a hegemonia do pensamento masculino em nosso mundo. Depois de enterrarem uma das nove minas do quarto que não resistiu a forma de pagamento pela comida; e ver que aquilo ia continuar para sempre; enquanto houvesse fome e houvesse mulher aquele seria o jogo a mulher do médico mata o líder/Gael e ainda tem que escutar: “agora a guerra vai começar” do seu próprio macho. A batalha só começa mesmo quando já detonou a propriedade (porque aí é crise) e já destrui as mulheres (que aí é o que mesmo?). Mas só quando se chega no limite, no que parece o fim, que se descobre que na verdade “we are freedom!”. Já não existiam guardas, travas; e se eles não houvessem chegado no limite do horrendo ficariam cegos e trancafiados sem saber-se livres.</p>
<p>Aí saem. O mundo destruído, a confiança no humano destruída. O caos. E a única solução apresentada para a sobrevivência é resguardar seu próprio grupo. Quem pode ver que salve seus poucos. A mulher do médico alimenta aqueles seis e esconde a comida dos demais. Grita quando chega outro grupo entrando em seu café/abrigo. Abre sua casa e brinda a nova família.<br />
E já há algum tempo acho que a solução para o mundo é salvar um pouquinho também. O que esteja ao alcance. Se o capitalismo gera diferenças apavorantes – e só pode ser mantido, ao que o mundo indica, a custa de exploração de outros, violência; para que aqui em cima se possa tanto consumir é preciso invadir os países do petróleo, deixar todo mundo com medo e manter trabalho semi e escravo no terceiro mundo; se o anarquismo parece utópico demais, porque funcionaria se todo mundo fosse buena gente, mas basta meia dúzia de “Gael King” para detonar o sonho; se o socialismo em seus exemplos mais óbvios precisa de ditaduras para mantê-lo… o que resta? Ali com cerveja concluim<a href="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/blindness2.jpg" title="blindness2.jpg"><img src="http://americasemfronteiras.com.br/wp-content/uploads/2008/10/blindness2.jpg" alt="blindness2.jpg" align="right" height="233" width="346" /></a>os o que já havíamos concluído. Que cada um de nós mulheres do médico, que a cegueira ainda não atingiu, salvemos um, dois, três. Mudar o mundo inteiro parece um pouco tarde demais. Mas se eu com meu trabalho, com um curso, com uma adoção, x puder mudar a vida de uma pessoa que estava no caminho do azar; valeu. Se você fizer o mesmo com outra valeu. E você outra, valeu. Algo assim. O que der. Mas resistindo, indo, sendo: sem cegar.</p>
<p>Ps: Fez sentido? Alguma proposta? Soluções em mente?</p>
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