19 de Maio de 2008

Estou aqui de passagem…

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O meu pai é capixaba. Meu avô italiano. Minha mãe carioca, filha de mineiros. O tio que mora em Washington tem uma filha em New York e a tia de Brasília parte da cria em Fortaleza. Minha irmã caçula está em Niterói e a primogênita em São Paulo. Eu nasci no Rio, me criei em Vitória, estudei em Sampa. E lá fiquei até o doce de leite me levar a Buenos Aires. Mas como em um tango, voltei.

Minha família nômade e, ao contrário da maioria das personagens que desfilarão neste blog, parte em busca de cultura, estudos ou sossego. As cerca de doze milhões de mulheres latino americanas migrantes cruzam fronteiras por causas menos alegres: partem em busca de um trabalho (mal remunerado) para pagar a sobrevivência de seus filhos que normalmente ficam do outro lado da linha.

O fluxo de mulheres que viajam sem maridos, namorados ou pais começou com as européias e norte-americanas que levavam na bagagem a recém criada pílula anticoncepcional, nos idos 60. Três décadas depois e a saída de mulheres ultrapassou a de homens nos países desenvolvidos. No terceiro mundo, entretanto, a proporção de 54% de migrantes do sexo masculino se mantém mais ou menos constante desde que os sutiãs foram queimados. Mas nosso subcontinente latino aparece como primeira região do sul a registrar a paridade numérica de emigrantes homens e mulheres.

A igualdade de direitos entre os sexos, entretanto, dita léguas. Bastam alguns números para se entender que a coisa anda mal: 2/3 das mulheres que chegam na fronteira do México foram vítimas de algum abuso sexual; as migrantes, embora com escolaridade maior que a dos homens, tem uma média salarial 30% mais baixa; 1,9 milhão de mulheres e crianças são vítimas do tráfico humano (uma das três atívidades ilícitas mais lucrativas do mundo). Quando soube destes tropeços senti vontade de seguir contando dos passos e pernas destas andarilhas. Assim, aqui no América sem fronteiras, acompanharemos mulheres que em sua sede de vida largam a família, os amigos e tudo que tem em busca de algo melhor.

A caminhada começa na Cidade do Panamá, onde pisei sozinha com minha (grande) mochila em março. De ônibus em ônibus, de fronteira em fronteira, de “causo” em “causo” chegaremos aos Estados Unidos. No caminho flertaremos com mulheres que colocaram toda a esperança em uma mala e se fueran. Ao mesmo tempo que reuniremos crônicas e fotos, conversaremos com artistas que pelo som, pelo traço, pelo baile e pelo grito tentam construir um continente irmão.

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foto um: montagem minha de eu careteira, da mãe carioca, dos avós mineiros fotografados pelo pai capixaba.
foto dois: menininha não sabe se vai ou se fica na Península do Osa, Pacífico Sul da Costa Rica

ps1: estes passos foram enfeitados pela grande parceira Katarina quer Beijar (http://www.katarinaquerbeijar.com.br/) que com suas roupas charmosas recheou minha mochila!
Ps2: a parte divertida da viagem passa na GNT, a cada quinze dias no “Saia Justa”! A parte cultural na Televisión América Latina. E aqui no América sem Fronteiras lincaremos todo o percurso! Buen viaje!




comentários dos leitores (11)

  1. Joana

    20 de Maio de 2008

    O blog será muito interessante!

  2.  
  3. grasi

    20 de Maio de 2008

    Uma ótima viagem que certamente tem rendido ótimas idéias.

    sucesso!
    grasi

  4.  
  5. celia

    21 de Maio de 2008

    Bela iniciativa de Marie Claire, despojada a jornalista Eliza que permite nossa aproximação com a realidade feminina das que em busca da sobrevivencia rompem fronteiras dessa nossa latina américa!

  6.  
  7. Humberto

    21 de Maio de 2008

    Eliza revelará, destas Américas de nomes femininos, mais uma faceta sutil e oculta de séculos de opressão.

  8.  
  9. Kira

    21 de Maio de 2008

    Vontade de ler mais…
    E que belas fotos!!!

  10.  
  11. Vivien

    21 de Maio de 2008

    Sua proposta de blog me lembrou a exposição “ÊXODOS”,de Sebastião Salgado: levas que se deslocam de vários lugares por conta de guerras, fome ou falta de esperança.
    Acho que esse blog vai render posts incríveis.
    Parabéns.

  12.  
  13. Maria

    21 de Maio de 2008

    Ótima temática, excelente escrita.

  14.  
  15. Lucia

    22 de Maio de 2008

    Eliza carrega coragem e liberdade.
    tanto no código genético quanto na grande mochila.
    o coração cheio, os pés inquietos e o olhar esperto nos deixam de presente esse texto delicioso.
    que nos conecta e faz sentir mais perto desses muitos mundos femininos…
    sorte nossa!

  16.  
  17. André

    23 de Maio de 2008

    fotos incríveis!texto, idem!
    fluido, bem escrito, gostoso de ler, verdadeiro.
    crônicas inéditas e necessárias!
    ansioso pra ler mais! parabéns pelo trabalho.

  18.  
  19. Carlos ramirez

    17 de Setembro de 2008

    Hola Elisa ..
    wow que pajina!!!
    Estado pensando en ti espero que estes ok

  20.  
  21. dany

    26 de Outubro de 2009

    quero sabe qual e vontade mora aqui na america gente me sjudah

  22.  
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