04 de Agosto de 2008

Bolinhas pelo ar!

Era uma bolsinha pretinha de bolinha coloridinha. Estavamos juntas há muito tempo. Quando não queria mochila nem peso na vida saíamos só as duas para passear. Ela cuidava das coisas materialmente importantes. E eu cuidava dela. Assim era. Hoje depois de tirar todo o dinheiro que o caixa automático me permitiu guardei tudo nela. Tentei tirar um pouco mais mas o caixa estava com defeito e eu com atraso. Fomos para a van e nem coloquei a grana no esconderijo secreto onde fica o dinheiro que não será usado nas próximas 30 horas. Quase três horas de Antigua Guatemala a Panajachel e veio o cais do lago Tikal. Que imensidão linda.

barco-lago_01.JPG

Sem almoçar às 4 da tarde fui comprar belisquetes para devorar no barco: banana, biscoito de aveia, suco de pêssego e um chocolatinho, afinal são dias de tpm. Entrei no barco, comi, adorei a vista. Cheguei em San Marcos onde iria para uma pirâmide, um centro de yoga e meditação para respirar mais e centrar mais e descobri que minha amiga de bolinhas não estava.
Revira dez vezes a mochila, dá uma choradinha. Explica para o barqueiro do Titanic (fala sério se isso é nome de barco). Revira. Espera o próximo barco. Agradece aos turistas israelenses sensibilizados que ofereceram dinheiro emprestado. Uma choradinha. Outro barco, sentido inverso. Agradece ao mexicano-guatemalteco que se ofereceu pagar o barco. Volta. Agradece ao barqueiro que aceitou que eu pague depois, um dia. E claro, alguém gostou da bolinha e levou ela de amiga. Chora mais um pouquinho, pensa nos planos a b c d. Papai, mamãe e maninha provam que estão tão perto mesmo tão longe. E no fim sobrevivi, um pouco mais pobre mas com mais experiência (re). E então decidi colocar dicas simples, algumas óbvias, de viajante. Assim também ajudo a umas gatinhas que tem me escrito pedindo dicas de viagem, lugares e bláblá.

- nunca ande com mais dinheiro que o que gastará nos próximos, sei lá, dez dias;
- mas nunca ande com menos que para os próximos dois; sabe como é caixa eletrônico com defeito na cidade e nenhum amigo por perto;
- além disso deixe uns cinquenta dólares escondido dos outros e de você mesma em algum canto da bagagem para em caso de “ai, oooh, shit” ter como pagar um ônibus, hotel, jantar e chocolatinho anti depressivo;
- não pense em viajar sem dois cartões de crédito internacionais, de dois selos diferentes; antes de sair do país ligue para a central de atendimento e autorize que eles funcionem para compra e saque no exterior (sim, eles ficam bloqueados se você não fizer isso);
- guarde um cartão com o passaporte numa destas pochetes internas; quando for viajar com toda a bagagem coloque ela embaixo da roupa; quando estiver em hotel esconda ela dentro de alguma parte secreta da bagagem e deixe no quarto; se for hotel bacana guarde no cofre; se for chinfrim guarde dentro do dentro de algo;
- ande com o outro cartão, uma cópia do passaporte incluindo a cópia da página com o carimbo de entrada no país em que você estiver e um documento xis com foto;
- deixe na carteira o dinheiro do dia e um extrinha pelas dúvidas;
- estude um pouco o lugar onde você vai para ter noção dos preços e não ser tratada como tão tonta; eu uso o lonely planet e ele dá dicas de quanto será o táxi da rodoviária até não sei onde por exemplo; também se informe de qual será o câmbio da moeda (na entrada da guatemala eu desci do ônibus dormindo e dancei na troca de dinheiro; o cara não me deu nem metade do que deveria; então já vá com um cálculo mais ou menos de quanto tem que receber pelo xis que você trocará na chegada);
- normalmente o melhor cambio é feito pela operadoras de cartão de crédito mesmo, que usam o oficial; então saque em cada país o que gastará já na moeda local (se eu tiver falando besteira alguém me conte e me fale o que é melhor… mas é isto que eu faço…);
- evite chegar de noite nos lugares; se for chegar já deixe algum hotel reservado;
- deixe as coisas mais ou menos planejadas para não correr o risco de ficar sem hotel onde queria ou perder aquela festa tradicional porque só viu a data depois;
- não deixe tudo assim tão armado a ponto de não poder trocar todos os planos se o vento soprar noutra direção – se você escutar falar de não sei quê incrível ou conhecer alguém ótimo que estará onde você a princípio não estaria;
- se estressar, for passado para trás, brigar na rua, o que for… tente entrar num lugar simpático, pedir um café, coca, água, suco e relaxe. Depois continue, cuca fresca!

Acho que é isso. Alguém dá mais?




comentários dos leitores (7)



  1. 4 de Agosto de 2008

    Ô amiga… a amiga daqui tb não tem muitos $$$ na conta bancária mas tem muito amor no coração :)! Então, se precisar, grite, por favor!
    E pra completar essas maravilhosas e mais que puteis dicas, eu dou a minha: sempre que possível, troque os transportes públicos por um confortável par de calçados! Andar por uma cidade desconhecida na maioria das vezes garante deliciosas descobertas, que ficam escondidas quando estamos dentro de um táxi, de um õnibus ou metrô!

    Bj enorme!!!!

  2.  
  3. Maninha

    4 de Agosto de 2008

    Num quer uma irmã mais velha pra guardar o passaporte não?!

    Saudades infindáveis!

    ps: preta com bolinha branca… captei!

  4.  
  5. Olivia Palmito

    5 de Agosto de 2008

    Um automóvel. Minha avó dizia “nem se for montada num porco” ou seja, a pé, nunca.

    Eu ouvia isso e não entendia, achava que os motores não tinham nada a ver com a percepção ou mesmo as possibilidades amorosas, pra mim um carro era uma coisa de andar e pronto. Era chato brincar de carrinho com os meninos, preferia jogar futebol, por que dentro dos carrinhos não havia ninguém dirigindo. Como eles caiam nessa? Uma vez eu perguntei “quem está dirigindo sua Lamborghini?” e o tonto “eu”.
    Uma vez me explicaram o funcionamento do motor do Fusca como uma coisa linda, por que tinha dois pistões. Na hora pareceu bonito mesmo.

  6.  
  7. Alice

    5 de Agosto de 2008

    os sufocos qdo navegáveis sem maiores traumas sempre resultam em vivências que acrescentam.
    Os do afeto de longe sempre ficam com vontade de estarem por perto para o abraço/amparo!
    Ainda bem que a internet ajuda nas comunicações e, vamos ao tributo ao tão criticado e criticável sistema financeiro, ela bem que nessa hora facilita com seus tantos serviços…
    Viajante, os apuros firmam os pés no chão, ou pelo menos a pochete debaixo da roupa…
    Bjos

  8.  
  9. Lia

    5 de Agosto de 2008

    nâo acredito que vc perdeu a sua bolsitta!!!!!!!!!bjs e saudades

  10.  
  11. Eliza

    5 de Agosto de 2008

    Lia!!!! Você por aqui! re. saudade amiga… quando perdi pensei… só a lia poderia entender que pior que perder o mastercard, a carteira de jornalista ou a grana é perder a bolsinha de bolinha…. enfim…

    Hosinha: a dica de andar a pé é boa mesmo… em Antigua meu programa foi ficar de um lado para o outro caminhando… delícia!

    Olivia, os pistões dos fuscas também me parecem uma coisa bem legal. Também gosto de carros com velas, mas os novos não tem mais né? Acho que gosto só de carro que tem que empurrar. Quando tiver um, quero destes, com vela e pistão.

    Alice e Maninha: valeussss… vocês foram excelentes….

    E agora, tudo na paz!!! Viva o visa extra!

  12.  
  13. Vivien

    6 de Agosto de 2008

    Ai que aflição, Eliza!
    O bom de tudo é que rende texto, humor ( depois que a aflição passa, claro) e ótimas dicas aos desligados, como eu.
    Um grande beijo e cuidado com as bolsas.

  14.  
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