16 de Outubro de 2008

Bem vinda Carmen! Bem vinda!

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Mal conhecia Carmen. Nos encontramos num Mc Donalds em frente a tal corte e na entrada do prédio cheio de segurança resumimos a vida. Há quatorze anos ela se despediu da República Dominicana. O fígado doente contaminou os negócios e a economia pobre da ilha deixou poucas esperanças para o sonho. Assim ela entrou na fila do american dream. Eram outros tempos: as torres não haviam caído nem a paranóia se instaurado com a moda do terror. Carmen chegou legal e por seis anos jogou a saudade das filhas embaixo do tapete, no meio de suas faxinas. Topou todo o tipo de bico para bancar o estudo da cria e hoje fala com os olhos brilhantes da caçula que aqui chegou só falando hello e que hoje estuda seu master.

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Era tudo que sabia da dominicana quando nos sentamos e um outro dominicano explicava em inglês bem falado com piada e tudo, como num talk show, sobre como seria a manhã. Na platéia gente de todo lado: mexico, brasil, guatemala, el salvador, alemanha, china… “Lembro quando foi o meu dia, levantei três e meia da manhã porque chovia e eu não queria chegar atrasado”, falava emocionado o apresentador. Carmen do meu lado contava como as coisas são mais fáceis quando se é um citizen. Na cerimônia de entrega da prova que agora sim! a porto riquenha é também americana, é realmente welcome, até Bush foi aplaudido na TV quando deu as boas vindas. Eu que mal conhecia Carmen segurei o choro mas me derreti. Fiquei sem entender e bem entendendo o que era aquilo. Lembrei de Dolores, de Bianca Sofia, de Ricardo, de Donar, dos rostos na linha do trem. Ali Carmen vingava o sonho e dava forças para que outras seguissem rio adentro, deserto afora, sobe trem baixa trem, pega túnel.carmen-5a.jpg

A nova americana mesmo de verdade foi direto se inscrever para votar. Saía da passividade de ganhar a vida, de receber o que for; de objeto Carmen virava sujeito. Ativa. Com seu voto dizia que colaboraria para mudar o país: “voto pela paz” repetia sentindo-se plena.




comentários dos leitores (1)

  1. Alice

    17 de Outubro de 2008

    As epopéias humanas sempre me emocionam. O inconformismo, o enfrentamento com o destino, a garra, a energia que se direciona para o sonho e a transformação…

  2.  
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