a menina que sorri com o corpo inteiro e a mulher de olhos azuis bem verdes
Conheci Claudia na estante de uma livraria na Costa Rica. “De fronteras” estava ali perdidinho na literatura latino americana e minhas mãos alcançaram sem pensar. Quando descobri que a autora era salvadorenha e quase da minha idade não tive dúvidas. Peguei e deixei na fila dos livretos a serem lidos. Um dia por distração furei a fila só para ler uma frasesinha. Quando vi, devorei as fronteiras pelas refeições e acabei antes do que estava lendo quando entrei na tal livraria.
Tive certeza que ela deveria ser a personagem de El Salvador para a série de cultura que faço para a TAL (que estou louca que suba na net logo…). Trocamos uns tantos emails e marcamos às onze na porta da Universisade Nacional de San Salvador: “eu vou estar com um vestido vermelho com…” “Você vai ser a única brasileira lá, não se preocupe!” me interrompeu. Desliguei achando um tanto de exagero dela pensar que vai me reconhecer assim só e passei os olhinhos no espelho: “não é que tava na cara que eu era brasileira?”
Saí patriota e mal cruzei o portão gigante de entrada e uma mão bem lá de longe me acenou. Sorri. “É que vocês sorriem com o corpo inteiro” se explicou Cláudia. Amei a definição.
A entrevista se estendeu para além do protocolo. Às vezes achava um pouco que ela era eu. Ou não. O livro de número três de Cláudia Hernandez, “Olvida Uno” (algo como “a gente esquece”, “alguém se esquece”) é a história de migrantes nos Estados Unidos. Ela junta as personagens reais com animais surreais mas completamente humanos. “Para entender a gente tem que se misturar. Fiquei lá dois anos e trabalhei e vivi onde eles estavam. Porque se a gente entrevista as respostas vem muito articuladas e pensadas. Para entender o que é mesmo tem que estar ali, vendo a vida, vivendo.” Concordei inteira.
Falei da vontade de cruzar com coiotes, que também planejo ficar nos EUA trabalhando em algo que não trabalharia (na cozinha e em alguma fábrica), falei dos medos de viajar sozinha e de tentar entrar nestes mundos todos: “o medo não está em nenhum lugar fora, está dentro” concluiu sabiamente com seus olhos azuis bem verdes.



30 de Junho de 2008
lindíssima a moça que escreve… a moça que lê… a moça que balança para dar um ‘ei’.
30 de Junho de 2008
eita menina porreta!
coisa boa poder ler seus textos assim, mesmo você estando longe!
esta sua crônica-poesia-pensamento-fotografia
é sempre de alta qualidade! fiquei um tempo sem ler, mas já voltei! bom demais!
1 de Julho de 2008
Boas sintonias, boas leituras, de livros e de linguagens corporais. Coiote não, vê lá…
1 de Julho de 2008
Bacana a definição que ela deu, mais do que dizer que somos calorosos ou outra coisa, dizer que nos comunicamos com o corpo. Bem colocado, gostei.
2 de Julho de 2008
*Grasi fofa!
*Moncaio, que bom receber sua ilustre visita. Saudade de nossos longos papos sobre qualquer assunto que ia mudando a cada nova frase sem que nos importássemos. Ah moncouer…
*Sim senhora dona Alice, nada de coiote. Volto sã e salva! Não sei quando, mas sei como!
* É boa né Vivien? Faz sentido em algum ponto. Sei lá, me senti enquadrada ao menos - e com orgulho de ter sido enquadrada…
13 de Janeiro de 2009
[…] página da Televisión América Latina dois dos quatorze mini docs estão online. Aqui Malpaís e Claudia Hernandez - que passearam pelo blog há tempos em textinhos apaixonados (siga os links!) - chegaram com voz e […]